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Trump condiciona financiamento da Segurança Interna à identificação de eleitores

Declarações ampliam a pressão sobre congressistas republicanos em meio ao impasse sobre o orçamento do departamento

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 23 de março de 2026 às 15h52.

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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump pressionou parlamentares republicanos a condicionarem o financiamento do Departamento de Segurança Interna à aprovação de regras de identificação de eleitores e afirmou que eles deveriam permanecer em Washington durante o feriado da Páscoa, se necessário.

Durante evento realizado nesta segunda-feira, em Memphis, no estado do Tennessee, Donald Trump fez um apelo direto à bancada. “Vocês não precisam votar rápido. Não se preocupem com a Páscoa indo para casa. Aliás, façam desta vez por Jesus, ok? Façam desta vez por Jesus”, declarou.

As declarações ampliam a pressão sobre congressistas republicanos em meio ao impasse sobre o orçamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês). A disputa já provocou uma paralisação parcial do governo federal, com impacto direto na operação da Administração de Segurança de Transportes, a TSA.

O bloqueio ocorre porque democratas condicionam a liberação de recursos a mudanças nas políticas migratórias, após o assassinato de dois cidadãos norte-americanos em Minneapolis, neste ano. Tentativas de financiar apenas a TSA foram barradas por republicanos, segundo a Bloomberg.

Endurecimento de regras

Trump passou a defender a inclusão do Save America Act, projeto que estabelece regras mais rígidas de identificação de eleitores. A proposta prevê exigência de comprovação de cidadania, limita o voto por correio a situações específicas e inclui dispositivos relacionados a cirurgias de redesignação sexual e participação em esportes.

O presidente também pressionou líderes republicanos no Senado a abandonarem o filibuster, mecanismo que permite prolongar debates e travar votações. Na segunda-feira, afirmou que deseja “fundir” o projeto ao orçamento do DHS e orientou aliados a não negociarem sem incluir a pauta eleitoral.

O impasse afeta diretamente aeroportos dos Estados Unidos. Funcionários da TSA estão há cinco semanas sem receber salários, o que levou à redução de equipes e ao aumento de filas e atrasos em terminais aéreos.

Trump atribuiu a responsabilidade aos democratas e afirmou que o eleitorado deve reagir nas eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso.

Uso de forças federais amplia debate sobre segurança pública

O evento em Memphis também destacou uma iniciativa federal voltada ao combate ao crime urbano. O governo lançou a Força-Tarefa de Segurança de Memphis, com participação de tropas da Guarda Nacional e de agências como FBI, DEA e ICE.

A estratégia integra um plano mais amplo de atuação federal em cidades. Críticos apontam que a medida amplia a presença do governo central em regiões administradas por democratas.

Na segunda-feira, Donald Trump afirmou que pode enviar a Guarda Nacional para aeroportos, caso as medidas atuais não sejam suficientes. O governo iniciou o deslocamento de agentes do ICE para apoiar operações aeroportuárias.

O uso das forças federais já motivou ações judiciais. Tribunais bloquearam iniciativas semelhantes em cidades como Chicago, Los Angeles e Portland. Ainda assim, tropas permanecem em operação em Washington, D.C., e Nova Orleans.

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