O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (C), ao lado do conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, Michael Needham (E), e do embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa (D): políticos fizeram uma reunião com a embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Hamadeh Moawad (Oliver Contreras/AFP)
Repórter
Publicado em 14 de abril de 2026 às 12h38.
Israel e Líbano realizam nesta terça-feira, 14, em Washington, suas primeiras conversas diretas em décadas, em uma tentativa de avançar para um cessar-fogo após semanas de conflito. O encontro ocorre sob mediação dos Estados Unidos.
Antes da reunião, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirmou que o país busca “alcançar a paz e a normalização” com o Líbano, mas condicionou qualquer avanço à questão do Hezbollah. Segundo ele, “Israel e Líbano não têm grandes disputas entre si. O problema é o Hezbollah”.
Sa’ar indicou ainda que Israel pode discutir um acordo de longo prazo com o governo libanês, mas reforçou que a questão do grupo armado “deve ser abordada para poder passar a uma fase diferente”.
O encontro em Washington, o primeiro desse tipo desde 1993, reúne os embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos, Yechiel Leiter e Nada Hamadeh Moawad, com mediação do secretário de Estado americano, Marco Rubio. As conversas também contam com a participação do embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa.
O governo americano pressiona por avanços para conter o conflito e evitar impactos nas negociações com o Irã. Ainda assim, o cenário é de impasse. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento das conversas, classificando-as como um ato de “submissão e rendição”.
Israel descarta negociar um cessar-fogo com o grupo pró-iraniano e exige seu desarmamento.
Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun manifestou expectativa de que o encontro represente uma virada. “Espero que o encontro em Washington (...) marque o começo do fim do sofrimento do povo libanês em geral, e do sul em particular”, afirmou em comunicado. Ele acrescentou que “a estabilidade não voltará ao sul se Israel continuar ocupando suas terras”.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel, poucos dias após o início do conflito em 28 de fevereiro, com ataques israelenses e americanos ao Irã. Desde então, bombardeios israelenses no território libanês deixaram mais de 2.000 mortos e ao menos um milhão de deslocados, segundo autoridades locais.
Paralelamente às negociações, os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o Irã. O presidente Donald Trump anunciou um bloqueio naval e ameaçou afundar embarcações que tentem acessar o Estreito de Ormuz.
O Irã já havia restringido fortemente a passagem pelo estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás mundiais. O comando militar iraniano classificou a ação americana como pirataria e alertou para riscos à segurança na região.
Segundo analistas, a estratégia busca reduzir os recursos financeiros de Teerã e pressionar a China, principal compradora de petróleo iraniano, a influenciar o país a reabrir a rota marítima. Pequim, por sua vez, considerou o bloqueio “perigoso e irresponsável”.
França e Reino Unido discutem organizar uma missão para garantir a segurança da navegação no local. Apesar das tensões, o cessar-fogo de duas semanas firmado recentemente segue em vigor, ainda que de forma frágil.
Trump afirmou que representantes iranianos procuraram os Estados Unidos para retomar negociações após o fracasso de encontros recentes. Fontes paquistanesas indicam que Islamabad trabalha para viabilizar uma nova rodada de conversas entre os dois países.
Outro ponto central das negociações envolve o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos defendem a proibição de que o Irã desenvolva armas nucleares e teriam proposto a suspensão do enriquecimento de urânio por 20 anos.
Teerã, por sua vez, sugeriu interromper as atividades por cinco anos, proposta rejeitada por autoridades americanas, segundo o The New York Times.
*Com informações da AFP e da EFE