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Armas nucleares e 'demandas excessivas': o que travou acordo entre EUA e Irã

Após 21 horas de negociações, EUA e Irã não chegaram a consenso, com divergências em “duas ou três questões importantes”, incluindo o programa nuclear e o Estreito de Ormuz

Irã e EUA: conversa terminou sem acordo e sem previsão de novo encontro (Farooq NAEEM/AFP)

Irã e EUA: conversa terminou sem acordo e sem previsão de novo encontro (Farooq NAEEM/AFP)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 12 de abril de 2026 às 08h42.

O fim das negociações entre Estados Unidos e Irã, neste domingo, 12, em Islamabad, foi marcado menos pelo resultado e mais pelo tom das declarações após o encontro. Os americanos falaram em falta de compromisso sobre armas nucleares, enquanto os iranianos reclamaram de  “demandas excessivas” que impediram um acordo após 21 horas de conversas.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que a delegação americana deixou a capital paquistanesa com uma “última oferta”, descrita como um “acordo de entendimento”. Segundo ele, os termos foram apresentados de forma clara, mas não houve aceitação por parte do Irã.

“Fomos o mais claros possível sobre em quais pontos poderíamos ceder e em quais não”, disse Vance, ao reforçar que Washington mantém suas linhas vermelhas.

O principal impasse, segundo o vice-presidente, foi a ausência de um compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares no longo prazo. Embora não tenha detalhado as negociações, ele reforçou a cobrança ao afirmar que “precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear”.

"O fato é que precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear, nem as ferramentas que permitiriam obtê-la rapidamente. Esse é o objetivo principal do presidente dos Estados Unidos, e é isso que tentamos alcançar por meio destas negociações", afirmou.

Do lado iraniano, autoridades também confirmaram que não houve acordo, apesar de avanços em alguns temas. O governo classificou parte das exigências americanas como demandas excessivas e pedidos ilegais.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Ismail Baghaei, afirmou que o avanço das negociações depende da “boa-fé” dos americanos e do reconhecimento dos interesses do país.

Segundo ele, houve entendimento em “vários temas”, mas divergências em “duas ou três questões importantes” impediram o acordo.

Uma fonte iraniana ouvida pela agência estatal “Mehr” afirmou que os Estados Unidos “falharam em seus cálculos bélicos” e também “se equivocaram nas negociações”, além de indicar que não há definição sobre uma nova rodada de conversas.

Outro ponto levantado por Teerã foi o Estreito de Ormuz. O país indicou que não haverá mudanças na situação da rota enquanto os Estados Unidos não aceitarem um acordo considerado “razoável”.

"O Irã apresentou iniciativas e propostas razoáveis durante as conversas. Agora cabe aos Estados Unidos abordarem os temas com realismo. Assim como o governo americano falhou em seus cálculos bélicos, até agora também se equivocou nas negociações", disse a fonte.

Plano iraniano

Antes do encontro, o Irã apresentou um plano de 10 pontos que serviu de base para o cessar-fogo de duas semanas firmado entre as partes. O documento inclui propostas que vão além da questão nuclear e ajudam a explicar a dificuldade de consenso.

Entre os pontos, está o controle do Estreito de Ormuz sob supervisão iraniana, com possibilidade de cobrança sobre navios que cruzem a rota. O plano também prevê a criação de um protocolo de navegação que reforça a autoridade do país na região.

No campo econômico, Teerã exige o fim das sanções primárias e secundárias impostas pelos Estados Unidos, além da liberação de ativos no exterior e compensações financeiras pelos danos da guerra.

O documento inclui ainda a retirada de tropas americanas do Oriente Médio, o fim de ações contra aliados regionais do Irã e a revogação de medidas internacionais relacionadas ao programa nuclear.

A proposta também prevê que um eventual acordo seja formalizado por resolução do Conselho de Segurança da ONU.

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