Guerra no Oriente Médio: ataques e ofensivas militares ampliam tensão regional no 17º dia do conflito (AFP)
Repórter
Publicado em 16 de março de 2026 às 07h25.
A guerra entre Irã, Israel e os Estados Unidos chegou ao 17º dia nesta segunda-feira, 16, com novos ataques em diferentes pontos do Oriente Médio, ampliação das operações militares israelenses no Líbano e pressão internacional para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerã desde o início do conflito.
A escalada incluiu ataques com drones e mísseis no Golfo, bombardeios em Beirute e novas ondas de projéteis iranianos contra Israel, além de movimentos diplomáticos e militares relacionados à segurança da principal rota de transporte de petróleo do mundo.
Durante a madrugada e a manhã desta segunda-feira, o Irã lançou três ondas de mísseis contra território israelense. Os ataques acionaram sirenes em diversas regiões do país, incluindo áreas centrais próximas a Tel Aviv.
Segundo o serviço de emergência Magen David Adom, uma mulher sofreu ferimentos leves após um dos impactos e foi atendida em um abrigo. O ataque também provocou danos materiais em residências, veículos e infraestrutura urbana.
Autoridades israelenses informaram que parte dos projéteis utilizava ogivas de fragmentação, capazes de dispersar várias submunições em um raio de até dez quilômetros. De acordo com dados militares, cerca de metade dos mísseis disparados pelo Irã desde o início da guerra utiliza esse tipo de armamento.
Além dos ataques iranianos, sirenes também foram registradas no norte de Israel após disparos do grupo libanês Hezbollah.
O Exército israelense anunciou o início de novas incursões terrestres “limitadas e seletivas” contra posições do Hezbollah no sul do Líbano.
Segundo comunicado militar, tropas da 91ª Divisão iniciaram operações com o objetivo de desmantelar infraestrutura considerada ligada ao grupo e eliminar combatentes na região.
Antes da entrada das tropas, Israel realizou bombardeios e ataques de artilharia contra alvos identificados como bases do Hezbollah. A ofensiva faz parte de um esforço para reforçar a segurança na fronteira norte de Israel.
Informações divulgadas pelo site Axios indicam que o governo israelense avalia uma possível operação militar mais ampla no sul do Líbano após o lançamento de mais de 200 projéteis pelo Hezbollah contra o território israelense nos últimos dias.
A escalada regional também atingiu os Emirados Árabes Unidos.
Um ataque com drone provocou um incêndio em uma instalação petrolífera em Fujairah, na costa leste do país, segundo autoridades locais. A infraestrutura fica voltada para o Golfo de Omã, além do Estreito de Ormuz. Não houve registro de feridos.
Já nas proximidades da capital Abu Dhabi, um civil morreu após um míssil atingir o veículo em que estava.
Sistemas de defesa dos Emirados também interceptaram mísseis e drones lançados pelo Irã. Em Dubai, um incêndio provocado por um incidente envolvendo drone próximo ao aeroporto levou à suspensão temporária de voos.
Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa informou ter interceptado 61 drones direcionados ao país.
A guerra segue pressionando o mercado global de energia. Com o bloqueio do Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo —, os preços da commodity permanecem em alta.
O barril do Brent era negociado acima de US$ 104, enquanto o WTI operava próximo de US$ 99.
Diante da escalada, o Japão anunciou que começou a liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo, após um acordo firmado no âmbito da Agência Internacional de Energia para conter a alta global dos preços.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar aliados para ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz.
Segundo Trump, a OTAN pode enfrentar um “futuro muito ruim” caso os países aliados não participem de esforços para garantir a navegação na região.
A declaração ocorre após Austrália e Japão descartarem enviar navios para a operação proposta por Washington.
O presidente americano também discutiu o tema com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, destacando a importância da reabertura da rota para evitar impactos econômicos globais.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o Estreito de Ormuz está fora do escopo de atuação da OTAN, mas indicou que o bloco discute com a Organização das Nações Unidas alternativas para garantir a segurança da navegação.
Entre as possibilidades está a ampliação da missão naval europeia EUNavfor Aspides, atualmente dedicada à proteção de navios comerciais no Mar Vermelho e no Golfo.
Segundo Kallas, o bloqueio da rota representa risco não apenas para o abastecimento de petróleo, mas também para o transporte de fertilizantes e alimentos, o que pode gerar impactos econômicos globais nos próximos meses.
*Com EFE e AFP