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Irã diz que Estreito de Ormuz está fechado e ataca navios dos EUA após sofrer bombardeios

Bloqueio é uma resposta aos ataques das Forças Americanas realizadas nesta noite

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 10 de junho de 2026 às 21h02.

Última atualização em 10 de junho de 2026 às 21h22.

O Irã declarou que o Estreito de Ormuz está fechado e atacou dois navios americanos, como uma resposta à ofensiva dos Estados Unidos realizada uma hora antes. No início da noite, os EUA lançaram ataques aéreos adicionais contra Teerã, como havia sido informado pelo Comando Central do Exército norte-americano.

Segundo o comunicado do Centcom, “as forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje às 18h15 [no horário de Brasília], contra múltiplos alvos no Irã, por ordem do comandante em chefe. Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”.

Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que caças estariam voando sobre o território iraniano e que teria conversado nesta quarta-feira com “autoridades iranianas” que, segundo ele, teriam pedido a suspensão dos bombardeios. O republicano também disse que Israel não participava da operação e que novas ações militares não estavam descartadas. No entanto, Teerã nega a ocorrência dessas conversas, segundo informações da agência Reuters.

Nova fase do conflito entre Irã e EUA

Ataques dos EUA a Teerã em março de 2026, no início das ofensivas entre os dois países. (Photo by Sasan / Middle East Images / AFP via Getty Images) (Getty Images/Getty Images)

Os novos bombardeios marcam o segundo dia consecutivo de ataques americanos contra alvos no Irã desde o cessar‑fogo iniciado em abril, acordo que já vinha sendo considerado frágil antes dessa nova escalada. Washington afirma que a primeira série de ataques foi lançada em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache pelos iranianos perto do Estreito de Ormuz. Ainda não há clareza sobre como esses ataques recentes afetarão a trégua em vigor.

Veículos estatais do Irã relataram explosões em Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, todas cidades portuárias próximas ao Estreito de Ormuz, e ativação de defesas aéreas em Isfahan. A agência Mehr mencionou “combates no mar” entre forças iranianas e norte‑americanas, sem fornecer detalhes adicionais.

Uma fonte norte‑americana disse ao Axios que os alvos atingidos pelos EUA estavam no sul do Irã, incluindo “sistemas de defesa aérea, radares e unidades de comando e controle de drones”.

Quase duas horas depois da ação dos EUA, o governo iraniano reiterou que o Estreito de Ormuz está fechado a qualquer tipo de embarcação, informando que disparou contra dois navios que, segundo Teerã, desrespeitavam seu bloqueio marítimo.

Troca de ameaças

Mais cedo nesta quarta, o Irã havia prometido uma “resposta dura” contra alvos norte‑americanos no Oriente Médio e advertiu que uma nova escalada não se limitaria apenas à região. Na terça‑feira, Teerã havia atacado uma base militar dos EUA no Bahrein em retaliação a ações anteriores, informou a Reuters.

O ataque desta quarta‑feira dos EUA foi anunciado poucas horas depois de Trump afirmar que seu Exército voltaria a atingir o Irã “ainda hoje”.

O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou que os bombardeios seriam “fortes e claros” e atingiriam “instalações‑chave” iranianas, sem especificar quais. Hegseth disse ainda que os ataques serviriam para “avançar os interesses militares dos EUA no Oriente Médio e ajudar Washington a alcançar uma solução diplomática da guerra”. O Irã, porém, repetiu que não negociaria sob ameaça militar.

Impactos no mercado

Os mercados já começaram a reagir na noite desta quarta-feira, 10, após novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã. O regime dos aiatolás anunciou que fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, depois da escalada da crise na região.

O petróleo do tipo Brent subia 2,9% às 21h (horário de Brasília), sendo cotado a US$ 92,73 o barril. Em três meses, a alta é de 7,7%. O conflito entre Irã e Estados Unidos começou no final de fevereiro.

O preço dos combustíveis, como gasolina e diesel, deve seguir em alta nos próximos meses, pois os efeitos da guerra no Irã ainda levarão algum tempo para serem mitigados, segundo empresas e especialistas.

Os novos ataques entre Israel e Irã atrasam ainda mais a solução. "Cada dia que passa é mais um dia de produção perdida", disse Eleanor Budds, diretora de pesquisa em combustíveis na consultoria S&P, durante evento da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

O conflito na região tem dificultado tanto a extração quanto o refino e a exportação de petróleo e combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação (QAV). A produção de petróleo no Oriente Médio teve queda de 45% em maio de 2026, e passou de 25,5 milhões de barris por mês, em 2025, para 13,9 milhões, segundo a S&P.

Com isso, o preço do petróleo atingiu cerca de US$ 120 por barril, mas depois se estabilizou entre US$ 95 e US$ 115. Há um ano, estava a US$ 60.

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