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EUA fecham acordo importante sobre terras raras com a Índia

Medida visa reduzir a dependência da China em minerais críticos, fundamentais para o avanço de novas tecnologias

Cúpula do Quad, que reuniu ministros da Austrália, do Japão, dos EUA da Índia em Nova Délhi, nessa terça-feira, 26. (Julia Demaree Nikhinson/AFP)

Cúpula do Quad, que reuniu ministros da Austrália, do Japão, dos EUA da Índia em Nova Délhi, nessa terça-feira, 26. (Julia Demaree Nikhinson/AFP)

Publicado em 26 de maio de 2026 às 15h01.

Última atualização em 26 de maio de 2026 às 15h05.

Nessa terça-feira, 26, os EUA e a Índia fecharam um importante acordo para garantir o fornecimento, a mineração e o processamento de minerais críticos e terras raras — fundamentais para a indústria de alta tecnologia, como a produção de semicondutores, e para aplicações bélicas. Esses recursos são cada vez mais importantes para a economia global, a geopolítica e as novas energias.

Nesse contexto, o acordo bilateral - anunciado em uma conferência de imprensa chamada Quad Meeting, que reuniu representantes da Austrália, do Japão, da Índia e dos EUA após negociações bilaterais - se destaca como um passo para longe da dependência da China, que domina até 90% da produção e do processamento desses minerais, e como uma coordenação crescente entre Washington e Nova Déli, que buscam mais autonomia nesse setor.

Durante a entrevista coletiva de imprensa, representada na parte indiana pelo Ministro do Exterior, Subrahmanyam Jaishankar, e na ala americana pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, os líderes descreveram a motivação por trás do acordo.

"Este acordo específico visa aprofundar nossa cooperação em toda a cadeia de suprimentos de minerais críticos e terras raras, incluindo mineração, processamento, reciclagem e investimentos relacionados. Certamente fortalecerá as cadeias de suprimentos resilientes e diversificadas. Nos ajudará a colaborar no financiamento e na gestão eficaz de minerais críticos e terras raras", disse Jaishankar.

"Nos últimos dias, tenho falado bastante sobre a aliança estratégica entre os Estados Unidos e a Índia e sobre a importância dela para os nossos interesses nacionais nos Estados Unidos, e hoje temos um exemplo concreto disso. Somos dois países com interesse estratégico em garantir o acesso confiável e de longo prazo a minerais críticos e cadeias de suprimentos essenciais para a nossa economia inovadora", afirmou Rubio.

As discussões, todavia, alastram-se para além de uma colaboração unicamente bilateral, apesar do acordo com a Índia. Os EUA, em específico, fecharam diversos acordos semelhantes com uma miríade de países, incluindo os quatro países do Quad, além da Malásia, da Tailândia, da Argentina, do Marrocos, do Peru e, inclusive, do Brasil, entre muitos outros.

Durante a Quad, uma outra estrutura sobre terras raras, mas ampla e com a participação dos quatro países, também foi anunciada.

Estrutura do acordo amplo

Cúpula do Quad, que reuniu ministros da Austrália, do Japão, dos EUA da Índia em Nova Délhi, na terça-feira, 26. (Arun Sankar /AFP)

De acordo com o comunicado oficial da cúpula do Quad, a estratégia conjunta visa ampliar a segurança das cadeias globais de minerais críticos, com previsão de mobilizar até US$ 20 bilhões em investimentos públicos e privados. O objetivo central é reduzir vulnerabilidades no fornecimento de matérias-primas essenciais a setores como a tecnologia, a defesa, a energia limpa e a indústria automotiva.

Para esse fim, a iniciativa prevê apoio direto a projetos considerados estratégicos para a cadeia de suprimentos de minerais críticos. Entre as prioridades estão empreendimentos de mineração, processamento e reciclagem ligados aos países do Quad, seja por localização, por operação empresarial ou por abastecimento de mercados do bloco.

O plano também sinaliza um esforço coordenado para atrair capital privado ao setor. Os governos estudam utilizar mecanismos como garantias financeiras, empréstimos, seguros, subsídios e contratos de fornecimento para reduzir riscos e acelerar investimentos em projetos considerados prioritários.

No campo regulatório, os parceiros defendem maior alinhamento entre as normas e os processos de licenciamento. A proposta inclui a troca de informações sobre boas práticas e possíveis medidas para simplificar as autorizações e acelerar a aprovação de projetos minerais, tema considerado estratégico diante da crescente disputa global por recursos críticos. Outro eixo da cooperação nesse âmbito envolve segurança econômica e proteção nacional. Os países pretendem fortalecer mecanismos de análise de investimentos e transações ligados a minerais críticos, especialmente em casos que possam representar riscos geopolíticos ou ameaças à segurança nacional.

A agenda também contempla avanços tecnológicos e cooperação científica. O Quad pretende ampliar iniciativas de mapeamento geológico, avaliação de recursos minerais e capacitação técnica, buscando melhorar a identificação de reservas e aumentar a eficiência da exploração mineral.

Reciclagem de minerais críticos

Além da mineração tradicional, o grupo quer ampliar o foco na reciclagem de minerais críticos presentes em resíduos eletrônicos e materiais descartados. A medida busca reduzir a dependência de novas extrações minerais, a burocracia acerca desses mecanismos e fortalecer uma economia circular.

Para isso, os parceiros defendem investimentos em tecnologias de recuperação de minerais, redes de coleta e sistemas de reciclagem mais robustos. O setor privado deve ter participação central na implementação dessas iniciativas, especialmente no desenvolvimento de soluções industriais e logísticas.

Os países também pretendem incentivar a inovação em processos de reaproveitamento de minerais críticos extraídos de lixo eletrônico, área considerada cada vez mais relevante diante do crescimento da demanda global por baterias, semicondutores e equipamentos eletrônicos.

Outro ponto em discussão é a possibilidade de simplificar procedimentos burocráticos e de exportação e importação de resíduos recicláveis entre os integrantes do Quad. A intenção é facilitar o fluxo de materiais destinados à recuperação mineral, respeitando legislações nacionais e compromissos internacionais de cada país.

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