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Com Nike fora da final, Adidas é a vencedora da Copa do Mundo 2026?

Com Espanha e Argentina na decisão, fabricante alemã domina a final e encerra o Mundial com motivos para comemorar

Mikel Merino: Espanha, assim como Argentina, são patrocinadas pela Adidas ((Foto: Thomas Coex / AFP))

Mikel Merino: Espanha, assim como Argentina, são patrocinadas pela Adidas ((Foto: Thomas Coex / AFP))

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 17 de julho de 2026 às 12h01.

Última atualização em 17 de julho de 2026 às 12h46.

A final da Copa do Mundo 2026 será disputada entre Espanha e Argentina, duas seleções patrocinadas pela Adidas. Com isso, pela primeira vez desde a edição de 2014, a Nike não chega a uma final de Copa. Na ocasião, Alemanha e Argentina também eram patrocinadas pela Adidas.

Para a fabricante alemã, parceira da FIFA, o cenário representa um desfecho bem-sucedido para uma competição comercial travada durante todo o Mundial. A Adidas chegou ao torneio patrocinando 14 das 48 seleções, contra 12 da Nike e 11 da Puma.

Quando o assunto é chuteiras, um levantamento realizado pela Reuters mostrou que, durante a fase inicial da Copa, 232 dos 528 jogadores titulares utilizaram chuteiras da Nike, enquanto 218 vestiram modelos da Adidas.

Com números bem mais modestos, outras fabricantes também marcaram presença na competição, incluindo New Balance, Reebok e Umbro.

Adidas x Nike no mercado

Adidas e Nike chegaram à Copa 2026 em momentos distintos de mercado. Depois da crise provocada pelo fim da parceria com Kanye West e a grife Yeezy, em 2024, a Adidas retomou o crescimento impulsionada pelo sucesso de modelos clássicos como Samba, Gazelle e Spezial, além da boa fase da categoria futebol.

Segundo dados da empresa, no primeiro trimestre deste ano, a companhia registrou 250 milhões de euros em encomendas de produtos relacionados à Copa do Mundo. A expectativa é que, com os jogos acontecendo, a empresa mantenha um desempenho semelhante no segundo trimestre.

Já a Nike, apesar de ainda ser líder global em artigos esportivos, enfrenta, desde 2024, um período de desaceleração nas vendas, perda de participação em algumas categorias e forte pressão dos investidores para acelerar a recuperação.

Sob o comando do CEO Elliott Hill, que assumiu o cargo no ano passado, a companhia transformou a Copa do Mundo em uma das principais apostas para recuperar relevância cultural, fortalecer sua divisão de futebol e, especialmente, aumentar as vendas.

Adidas x Nike na publicidade

As duas empresas investiram milhões de dólares em publicidade antes e durante a Copa do Mundo. Em maio, a Adidas lançou sua campanha especial para o Mundial em um vídeo que reuniu Lionel Messi, Lamine Yamal, Jude Bellingham, Ousmane Dembélé, Trinity Rodman, David Beckham, Zinedine Zidane e Alessandro Del Piero, com participações especiais do cantor Bad Bunny e do ator Timothée Chalamet.

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Um mês depois, a Nike também mostrou seu poder publicitário com uma campanha que reuniu Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Erling Haaland, além de estrelas "não futebolísticas", como o astro do basquete LeBron James, os atores Channing Tatum e Jason Sudeikis, a cantora de K-pop Lisa, o rapper Travis Scott e Kim Kardashian.

O vídeo ultrapassou 1,5 bilhão de visualizações em sua primeira semana no ar.
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Durante a Copa, a Adidas explorou sua posição consolidada como patrocinadora oficial da FIFA e fornecedora da bola da competição, garantindo uma presença institucional que vai além dos uniformes. Além disso, o "ativo Messi" é um dos grandes trunfos da marca. Poucos dias após o início do torneio, a Adidas divulgou "El Último Tango", campanha que homenageia Messi pelos 20 anos de parceria com a empresa e destaca a última Copa do Mundo do atleta.

Mesmo não sendo patrocinadora da Inglaterra, a Adidas também conseguiu surfar na campanha da Seleção Inglesa por meio de Jude Bellingham, um dos embaixadores globais da marca. Nas redes sociais, torcedores chegaram a resgatar o comercial "Hey Jude", lançado pela Adidas para a Eurocopa de 2024 em homenagem ao jogador.

A Nike, por sua vez, investiu em ativações nas cidades-sede das partidas e ampliou o volume de mídia durante a competição. Cristiano Ronaldo continua sendo um dos ativos mais fortes da marca, mas a estrela da vez foi o norueguês Haaland.

A Nike, inclusive, foi pega de surpresa com "o fenômeno Haaland", a ponto de ter dificuldade para atender à demanda repentina pelos uniformes da Seleção Norueguesa.

Adidas x Nike nas vendas

Um dos grandes acertos da Adidas para a Copa 2026 foi a coleção Bringback, uma linha de camisetas vintage lançada para algumas seleções, incluindo Argentina e Espanha. No Brasil, os modelos no site da Adidas custam R$ 1.499,99.

A Nike também apostou em uma jersey vintage especial para o Brasil: a Total 90 de Ronaldo Fenômeno, esgotada no site e vendida por R$ 899,99.

"Esgotar", inclusive, foi um problema para a Nike durante a Copa. Antes mesmo do início do torneio, a empresa informou que já havia vendido 2,5 vezes mais uniformes do que no período equivalente que antecedeu a Copa do Mundo de 2022.

Nas duas primeiras semanas da competição, a Nike registrou crescimento de 28% nas vendas de produtos oficiais da Copa, superando o avanço de 7% da Adidas na mesma categoria.

Com isso, os estoques de camisas oficiais de pelo menos quatro seleções acabaram, incluindo Estados Unidos, França, Brasil e Noruega. O problema é que a Nike demorou a repor alguns uniformes e, quando os produtos voltaram ao mercado, o pico de demanda já havia passado, como ocorreu com os EUA.

Ao todo, a Adidas lançou 608 produtos relacionados à Copa. A Nike, 803 produtos. A companhia norte-americana esgotou seus estoques quatro vezes mais rápido que a empresa alemã — o que pode ser interpretado como reflexo de uma demanda muito forte ou de um volume insuficiente de peças.

Quem venceu a disputa?

As duas empresas ainda não divulgaram seus resultados oficiais em relação à Copa do Mundo de 2026, mas já é possível ter uma ideia de quem levou a melhor. As ações da Adidas subiram cerca de 6% desde o início da Copa do Mundo, atingindo o maior nível em oito meses na semana passada. Já a Nike registrou alta de apenas 1,4%.

As projeções do mercado para as empresas também favorecem a Adidas. A receita projetada para o ano fiscal da Nike fica em torno de US$ 46,4 bilhões, o que representa uma alta de cerca de 0,2%. Já para a empresa alemã, a expectativa é de um crescimento próximo a 5%, somando US$ 30,3 bilhões.

No balanço da Copa de 2026, as duas gigantes deixam o torneio com conquistas distintas. Mas, para o mercado, a Adidas encerra o Mundial como campeã.

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