BBB26: prêmio é o maior da história (Reprodução / TV Globo)
Repórter de finanças
Publicado em 23 de abril de 2026 às 13h21.
A campeã do BBB26, Ana Paula Renault, embolsou o maior prêmio já pago pelo programa: R$ 5.708.712,17. Com ele, é possível viver de renda passiva por um bom tempo, é o que explica Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos. No entanto, é necessário observar qual é o melhor tipo de aplicação para tirar o máximo de proveito da bolada.
“No mercado financeiro, esse número, por si só, não diz muita coisa. O que realmente importa é o que esse dinheiro passa a fazer depois”, diz a especialista, que calculou quanto renderia o prêmio se investido nos diversos tipos de ativos da renda fixa.
Para as simulações, foi considerada a Selic em 14,75% ao ano como referência para os ativos pós-fixados, além de uma alíquota média de imposto para aproximar os valores líquidos ao que o investidor efetivamente recebe.
Ela utilizou também como referência o Tesouro Selic 2031, que hoje representa bem a parte mais longa da curva pós fixada, mantendo liquidez e baixa volatilidade.
Se aplicado na poupança, o investimento de renda fixa com menor rentabilidade, esse capital renderia algo em torno de R$ 29 mil por mês. É uma quantia confortável, mas com baixa eficiência. Ao migrar para o Tesouro Selic, considerando um CDI de 14,75% ao ano, o ganho mensal praticamente dobra, chegando perto de R$ 60 mil.
Nos CDBs, o retorno varia conforme o percentual do CDI. Um papel que paga 90% do índice geraria cerca de R$ 53 mil mensais, enquanto um de 120% superaria os R$ 70 mil. “Aqui, a diferença não está no valor investido, mas na qualidade da decisão”, explica.
Quando entram em cena produtos isentos de Imposto de Renda, como LCI e LCA, o resultado líquido pode ser ainda mais interessante. Mesmo com taxas menores, a isenção eleva a renda mensal para algo próximo de R$ 63 mil, mostrando que olhar só para o percentual do CDI pode distorcer a análise.
Nos títulos atrelados à inflação, o momento também chama atenção. Com retornos próximos de IPCA + 8,5% ao ano, esses papéis combinam proteção contra a inflação com uma remuneração elevada em termos históricos. Isso se traduziria em cerca de R$ 65 mil por mês, com ganho real ao longo do tempo.
Já os prefixados refletem mais uma visão de cenário. Com taxas ao redor de 12% ao ano, entregariam algo próximo de R$ 48 mil mensais. Funcionam melhor em um contexto de queda de juros; caso contrário, seguem como uma opção correta, mas sem tanto destaque.
“E é justamente aqui que a análise evolui. Porque a pergunta mais importante não é onde esse dinheiro rende mais hoje, mas como ele deve ser distribuído para continuar performando bem em diferentes cenários de juros e inflação.”
Uma carteira diversificada ajuda a resolver essa questão. Uma divisão com 40% em pós-fixados, 30% em inflação, 20% em prefixados e 10% em ativos de maior risco poderia gerar cerca de R$ 62 mil por mês, com maior estabilidade ao longo do tempo, explica.
Mas, caso haja uma mudança na política monetária, tudo dependerá da decisão. “Esses valores são uma fotografia do momento. Eles refletem o nível atual da Selic e da curva de juros. Como o Tesouro Selic acompanha a taxa básica e os demais títulos são precificados diariamente pelo mercado, qualquer mudança na política monetária altera diretamente esses retornos.”
Ela continua: “Por isso, o ponto central não é projetar um único cenário, mas estruturar uma carteira que seja resiliente a diferentes níveis de juros e inflação ao longo do tempo.”