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Opinião: O Pix está prestes a revolucionar o sistema financeiro

Sistema financeiro deve unir Pix, inteligência artificial, dados e ativos digitais em uma nova jornada de pagamentos

Pix abriu caminho para uma nova fase dos pagamentos, com integração entre dados, IA, crédito e ativos digitais (Marciobnws/Shutterstock)

Pix abriu caminho para uma nova fase dos pagamentos, com integração entre dados, IA, crédito e ativos digitais (Marciobnws/Shutterstock)

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Publicado em 10 de setembro de 2026 às 10h00.

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Por Leonardo Baptista*

O Pix mudou a relação dos brasileiros com o dinheiro. Desde que foi lançado, em novembro de 2020, deixou de ser apenas uma alternativa à TED e ao boleto e passou a funcionar como uma infraestrutura central do sistema financeiro. Em 2025, foram realizadas 30,1 bilhões de transações via Pix, alta de 20% em relação ao ano anterior, segundo dados da Febraban.

A dimensão desses números mostra que o Pix já não é uma novidade. Ele faz parte da rotina financeira do brasileiro. E, justamente por isso, acredito que a próxima discussão não deve ser sobre o que substituirá o Pix, mas sobre o que será construído a partir dele.

O futuro dos pagamentos após o Pix

Nos próximos cinco anos, veremos uma transformação mais ampla do sistema financeiro, marcada pela convergência entre pagamentos instantâneos, compartilhamento de dados, inteligência artificial, ativos digitais e novas formas de crédito. O dinheiro continuará circulando, mas de maneira cada vez mais rápida, integrada e, em muitos casos, invisível para o consumidor.

À frente da Pay4Fun, instituição de pagamento brasileira, acompanho essa transformação especialmente de um mercado em que o Pix já ocupa uma posição central. Hoje, o Pix manda no mercado.

O próximo passo, portanto, é garantir que essa velocidade venha acompanhada de segurança, rastreabilidade e integração. A própria agenda do Banco Central aponta para uma evolução contínua do Pix, com recursos como o Pix por aproximação, o Pix Parcelado, o Pix em garantia e o aperfeiçoamento do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED 2.0.

Segurança e integração no sistema financeiro

O Pix Automático também deve ampliar o uso do sistema em pagamentos recorrentes, como mensalidades, assinaturas, seguros, contas de serviços e cobranças empresariais. Mas existe uma condição para que esse avanço seja positivo: uma transação rápida também precisa ser identificável, auditável e submetida a mecanismos eficientes de prevenção a fraudes.

Quanto mais rápido o dinheiro circula, mais sofisticados precisam ser os controles capazes de proteger essa circulação.

Isso não significa que uma tecnologia necessariamente substituirá outra. O crescimento do Pix não representa o fim dos cartões. O mais provável é uma convivência cada vez mais definida pela função de cada instrumento.

O Pix tende a ganhar espaço em pagamentos à vista, transferências e cobranças recorrentes, enquanto os cartões devem continuar relevantes no crédito parcelado e em mecanismos de proteção ao consumidor.

Open Finance e inteligência artificial

Se o Pix trouxe velocidade para o dinheiro, o Open Finance pode trazer contexto. O sistema permite que o consumidor autorize o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições, facilitando a comparação de produtos, a portabilidade de crédito e o acesso a serviços personalizados.

Na prática, uma fintech poderá analisar a movimentação financeira do cliente em diferentes instituições e oferecer crédito com base em um histórico mais completo.

Bancos e fintechs já utilizam modelos para identificar transações suspeitas, analisar crédito, automatizar atendimento e personalizar ofertas. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 estima investimentos de R$ 50,4 bilhões em tecnologia no setor bancário ao longo do ano.

Acredito que a inteligência artificial será cada vez mais presente nos bastidores das operações financeiras. Quanto mais automatizado for o sistema financeiro, maior será a necessidade de explicar por que uma transação foi bloqueada ou um crédito foi recusado.

Pagamentos internacionais e ativos digitais

Outra fronteira dessa transformação está nos pagamentos internacionais. O Pix já pode ser utilizado em estabelecimentos de oito países por meio de soluções que fazem a conversão automática para reais. Ao mesmo tempo, stablecoins e outros ativos digitais lastreados em moedas tradicionais começam a ocupar espaço nessa discussão.

Nos próximos cinco anos, isso deverá aparecer em situações cada vez mais comuns: pagamentos recorrentes autorizados uma única vez, compras por aproximação sem cartão físico, crédito baseado no histórico financeiro completo do cliente, sistemas antifraude que analisam comportamento em tempo real, pagamentos internacionais com conversão automática e serviços financeiros integrados a aplicativos, marketplaces e plataformas de comércio.

Para o consumidor, a experiência tende a ficar mais simples. Mas simplicidade não pode significar perda de controle. À medida que o dinheiro se torna mais rápido e invisível, será necessário prestar ainda mais atenção aos consentimentos, às cobranças automáticas, aos golpes e ao uso de dados pessoais.

A próxima etapa da revolução financeira

O Pix foi o primeiro grande passo porque popularizou a transferência imediata e reduziu a fricção das transações. Mas, na minha visão, seu maior impacto ainda está por vir.

O dinheiro não apenas circulará mais rápido. Poderá ser programado, analisado por inteligência artificial, associado a ativos tokenizados e integrado a diferentes plataformas.

Por isso, não vejo o futuro como uma disputa entre Pix, cartões, Open Finance, inteligência artificial ou ativos digitais. A principal mudança será a integração de todas essas tecnologias em uma mesma jornada financeira.

A tecnologia precisa facilitar a vida do usuário, mas também fortalecer a integridade do sistema. O futuro dos pagamentos será definido pela combinação entre velocidade, conveniência, transparência e controle.

O Pix foi o começo. Agora, entramos em uma etapa em que a verdadeira revolução será fazer todas essas tecnologias trabalharem juntas.

*Leonardo Baptista é CEO & Cofundador da Pay4Fun, instituição de pagamento que oferece soluções financeiras para o setor de entretenimento. O empresário tem mais de 15 anos de experiência na indústria de jogos e tecnologia da informação. Leonardo entrou para a lista dos dez CEOs mais inspiradores da CIO Business Review, que seleciona os executivos mais influentes do mundo dos negócios e também foi reconhecido pela SBC Awards Americas 2026 como líder do ano da América Latina.

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