Invest

Trump dá ultimato ao irã e mercados entram em compasso de espera

Nas negociações, o Irã diz que quer paz — mas uma paz de verdade, não um cessar-fogo temporário que deixe tudo como estava. Reabrir o Estreito de Ormuz? Fora de questão por enquanto

A guerra entre EUA e Israel contra o Irã começou no final de fevereiro. Em poucas semanas, Teerã fechou o Estreito de Ormuz (Reprodução/AFP)

A guerra entre EUA e Israel contra o Irã começou no final de fevereiro. Em poucas semanas, Teerã fechou o Estreito de Ormuz (Reprodução/AFP)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 7 de abril de 2026 às 08h30.

O prazo é hoje à noite. Ou o Irã fecha um acordo ou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promete destruir usinas de energia e pontes no país, em meio ao conflito no Oriente Médio. Com isso, os mercados globais não sabem para onde olhar.

A guerra entre EUA e Israel contra o Irã começou no final de fevereiro. Em poucas semanas, Teerã fechou o Estreito de Ormuz — o corredor por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural do mundo. O resultado? Energia mais cara, inflação acelerando e uma palavra que ninguém queria ouvir de volta: estagflação. Isto é, inflação alta junto a um crescimento baixo ou lento da economia.

Desde então, o petróleo do tipo Brent subiu mais de 50%, chegando a US$ 111,28 o barril nesta terça-feira, 7.

Nos EUA, empresas estão pagando mais por insumos do que em qualquer momento nos últimos 13 anos. E, na próxima sexta-feira, 10, a expectativa é que os números oficiais de inflação confirmem o que a população já sente no bolso, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Como andam as negociações?

Nas negociações, o Irã diz que quer paz, e não um cessar-fogo temporário que deixe tudo como estava. Reabrir o Estreito de Ormuz está fora de questão por enquanto. Trump, por sua vez, descartou preocupações de que atacar infraestrutura civil seria crime de guerra.

"Qualquer concretização das ameaças de atacar a infraestrutura elétrica do Irã representaria uma escalada significativa, aumentando o risco de retaliações que poderiam perturbar ainda mais as instalações de energia no Golfo", ponderou o estrategista do banco OCBC em Cingapura à Reuters, Vasu Menon.

Nos mercados, o clima é de quem não quer apostar em uma "roleta russa". As bolsas europeias subiram modestamente — o índice Stoxx 600 avançou 0,6%. Wall Street ficou praticamente parada, com os futuros americanos operando no zero a zero.

O dólar e o ouro — ativos de segurança em tempos de crise — avançaram. O índice do dólar (DXY) chegou a 100,03, próximo das máximas recentes, enquanto o ouro subiu 0,7%, a US$ 4.680 por onça.

Já o iene japonês se aproxima de um nível de 159,74 por dólar, o que pode forçar o governo japonês a intervir no câmbio.

"Estamos novamente sob uma contagem regressiva imposta por Trump e não há como prever com qualquer confiança o que acontecerá", resumiu o analista da Capital.com à Reuters, Kyle Rodda.

"Os traders mais arrojados podem apostar em um sentido ou no outro. Outros vão buscar se proteger ou ficar de fora. Mas não há muito que os participantes do mercado possam fazer além de esperar para ver", pontuou.

Acompanhe tudo sobre:Donald TrumpGuerras

Mais de Invest

Ações de software subiram 12% em uma semana, mas Wall Street vê recuperação sem sustento

A bolsa abre hoje? Entenda o funcionamento da B3 na véspera do feriado

Como a virada dos EUA-Irã desfez o rali das bolsas em menos de 48 horas

A Nike quer voltar ao básico para se reerguer. O investidor não está tão otimista