Opep+: ministros de energia realizam teleconferência para tentar estabilizar o preço do "ouro negro" (makhnach/Freepik)
Redação Exame
Publicado em 5 de abril de 2026 às 14h26.
A aliança Opep+, liderada por Arábia Saudita e Rússia, decidiu neste domingo, 5, aumentar a produção de petróleo em 206 mil barris diários a partir de 1º de maio. O movimento, no entanto, é visto por analistas como meramente simbólico.
Na prática, a entrega do volume adicional é inviável enquanto o Estreito de Ormuz — por onde circula 20% do óleo mundial — permanecer bloqueado devido à guerra iniciada em 28 de fevereiro com os bombardeios de EUA e Israel contra o Irã.
Em comunicado oficial após teleconferência entre os oito principais membros do grupo, os ministros expressaram "profunda preocupação" com os ataques sistemáticos à infraestrutura energética na região e na Rússia (alvo de ofensivas ucranianas).
A coalizão destacou que a restauração de ativos danificados é um processo custoso e lento, o que compromete a disponibilidade real do fornecimento global e alimenta a volatilidade que fez o petróleo Brent beirar os US$ 120 por barril.
O cenário é de pressão extrema sobre os preços: apenas em março, o petróleo acumulou uma alta de 63%, o maior salto mensal desde 1988. O petróleo WTI (referência americana) já superou os US$ 111.
Ao manter o cronograma de reversão dos cortes voluntários de produção iniciados em 2023, a Opep+ tenta enviar uma mensagem de "calma" aos mercados, embora a logística de transporte marítimo internacional esteja paralisada em pontos críticos do Golfo Pérsico.
Para a economia global, a manutenção do barril acima de US$ 110 atua como um imposto direto sobre o crescimento, elevando custos de transporte e pressionando a inflação nos países importadores. A estratégia da Opep+ de "produzir no papel" serve para sinalizar que o grupo não quer preços fora de controle, mas a realidade física do bloqueio em Ormuz retira o poder de fogo prático da organização. Países com capacidade limitada, como Argélia e Omã, pouco podem fazer para compensar as perdas sauditas e iraquianas.
A interrupção das rotas no Estreito de Ormuz é o maior pesadelo logístico do setor energético em décadas. Sem uma solução diplomática ou militar para o desbloqueio, os estoques globais tendem a cair para níveis críticos antes do verão no hemisfério norte. O mercado agora monitora se a Rússia conseguirá redirecionar seu escoamento via ferrovias ou rotas alternativas, enquanto o mundo aguarda um sinal de descompressão no conflito iraniano para que os "barris de papel" da Opep+ se tornem combustível real.
(Com EFE)