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Irã rejeita ultimato de Trump e mantém Estreito de Ormuz fechado: 'ação estúpida'

Comando militar iraniano diz que não irá respeitar prazo de 48 horas imposto pelos EUA e ironizou que “os portões do inferno se abrirão” em caso de novos ataques

Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, segue no centro da crise entre Irã e EUA (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, segue no centro da crise entre Irã e EUA (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Publicado em 4 de abril de 2026 às 20h17.

Última atualização em 4 de abril de 2026 às 20h21.

O Irã rejeitou neste sábado, 4, o ultimato de 48 horas imposto por Trump para reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, elevando ainda mais a tensão no Oriente Médio.

Em comunicado, o Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya classificou a ameaça americana como uma “ação desesperada, nervosa, desequilibrada e estúpida”.

O texto foi divulgado pelo general Ali Abdollahi Aliabadi, que também advertiu que qualquer ofensiva contra o país terá resposta. “Os portões do inferno se abrirão para você”, afirmou o comandante, em referência direta ao tom adotado por Trump em suas redes sociais.

Segundo autoridades, embarcações que transportam bens essenciais e ajuda humanitária poderão transitar pela região, desde que cumpram protocolos de segurança estabelecidos por Teerã.

A reação aconteceu porque o presidente americano reforçou mais cedo o prazo para que o Irã reabra o estreito que é rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Caso contrário, segundo ele, o país enfrentaria consequências severas.

“O tempo está se esgotando — 48 horas antes que o inferno se abata sobre eles. Glória a Deus!”, escreveu Trump na Truth Social.

O ultimato retoma um prazo anterior de dez dias dado por Washington, durante o qual os Estados Unidos haviam suspendido temporariamente planos de ataque a instalações de energia iranianas. Teerã, no entanto, já havia sinalizado que não cederia à pressão.

Mais cedo, a guerra se intensificou com os EUA atacando Teerã após o Irã derrubar aviões e deixar um piloto desaparecido, mobilizando sua busca.

Impasse internacional

A escalada do conflito ocorre em meio a um impasse diplomático no Conselho de Segurança da ONU. A votação de uma resolução proposta pelo Barein, que busca autorizar o uso de “todos os meios defensivos necessários” para garantir a navegação no Estreito de Ormuz, foi adiada.

Segundo diplomatas ouvidos pela Reuters, China, França e Rússia (membros permanentes com poder de veto) resistem à proposta, o que impede um consenso sobre uma eventual ação internacional.

Se aprovada, a resolução representaria o primeiro aval formal da ONU para o uso da força no contexto da crise no estreito.

O fechamento da rota é considerado um dos cenários mais sensíveis para o mercado global de energia e para a segurança internacional. A região é vital para o transporte de petróleo e gás natural, e qualquer interrupção prolongada pode impactar preços e cadeias de abastecimento em escala.

A troca de ameaças entre Washington e Teerã, somada à falta de consenso na ONU, aumenta o risco de uma escalada militar na região nos próximos dias.

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