Tesla: previsões indicam vendas de 1.640.752 veículos em 2025 (Jeremy Moeller/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 13h33.
Última atualização em 2 de janeiro de 2026 às 13h37.
A Tesla deixou de ser a maior fabricante de veículos elétricos do mundo em 2025, ao reportar sua segunda queda consecutiva nas entregas. A chinesa BYD assumiu a liderança global do setor. Às 13h (horário de Brasília), as ações da companhia de Elon Musk caíam mais de 2%.
A companhia americana entregou 1,64 milhão de veículos no ano passado, uma retração de quase 9% frente a 2024. A BYD, por sua vez, somou 2,26 milhões de unidades puramente elétricas, crescimento que a posiciona como a nova líder global no segmento.
No quarto trimestre, a Tesla registrou 418.227 veículos vendidos, abaixo da expectativa de analistas. O resultado foi pressionado pelo fim do crédito tributário de US$ 7.500, encerrado pelo governo de Donald Trump em setembro.
Junto com os resultados, Musk destacou avanços em seu esforço para lançar um negócio de robotáxis. No entanto, embora a empresa tenha iniciado testes sem motorista no fim de 2025, os consumidores, ao menos por enquanto, só conseguem chamar corridas a partir de um número reduzido de carros em Austin e na região da Baía de San Francisco, com supervisores de segurança sentados no banco da frente.
Wall Street também está pessimista em relação às perspectivas para 2026, segundo informações do Yahoo! Finance. Há dois anos, nesta mesma época, os analistas previam que a Tesla entregaria mais de 3 milhões de veículos. Essa estimativa média de entregas para este ano caiu para cerca de 1,8 milhão.
O ano começou com linhas paradas, ações em queda e crises políticas, mas terminou com a Tesla batendo recorde de valor de mercado. Para oYahoo! Finance, o desempenho da montadora ao longo de 2025 foi marcado por uma sequência improvável de reviravoltas.
As entregas de veículos despencaram no primeiro trimestre, impactadas pela reestruturação simultânea das fábricas para adaptar o novo Model Y. A situação se agravou com a reação negativa do público ao envolvimento direto de Elon Musk com o presidente Donald Trump. Em abril, após atritos públicos com membros do governo, as ações da Tesla acumulavam queda de 45% no ano.
A virada começou quando Musk se afastou de temas políticos e retomou um projeto antigo: lançar um serviço de transporte por aplicativo com carros sem motorista. Em junho, a Tesla inaugurou, em Austin, um piloto fechado de robotáxis com operadores de segurança a bordo. No primeiro dia, os veículos infringiram regras de trânsito e motivaram investigações federais — mas o mercado preferiu enxergar o potencial de longo prazo.
Três meses depois, o conselho da empresa propôs um novo pacote de remuneração que poderia render até US$ 1 trilhão a Musk, caso ele cumprisse metas ambiciosas, como a entrega em massa dos robotáxis.
Em 16 de dezembro, a ação atingiu seu maior valor histórico. A Tesla adicionou mais de US$ 915 bilhões em valor de mercado em oito meses, encerrando um dos ciclos mais voláteis — e lucrativos — de sua história recente.