Petrobras: caixa robusto e dividendos generosos no radar do Santander
Editor de Invest
Publicado em 21 de maio de 2026 às 12h55.
O banco Santander elevou sua recomendação para as ações da Petrobras de neutra para outperform (equivalente a uma indicação de compra) e aumentou o preço-alvo dos papéis de R$35 para R$60, um potencial de valorização de 21% em relação à cotação de R$49,68 registrada no dia do relatório.
A principal justificativa é a expectativa de geração de caixa mais robusta do que o mercado antecipa.
Com o petróleo tipo Brent projetado a US$88 por barril em 2026 (patamar bem acima dos US$63 assumidos no plano estratégico atual da companhia), o banco estima que a Petrobras entregará um retorno de fluxo de caixa livre de cerca de 12% e pagará dividendos equivalentes a aproximadamente 9,5% do valor das ações ao longo do ano.
Parte desse otimismo vem do lado operacional. A produção de petróleo no primeiro trimestre de 2026 atingiu 2,58 milhões de barris por dia, colocando a empresa no caminho para superar sua própria meta anual de 2,5 milhões de barris.
Em abril, a produção chegou a 2,73 milhões de barris diários, impulsionada pela entrada antecipada de novas plataformas.
Para 2027, o cenário projetado pelo Santander é ainda mais favorável. Assumindo o Brent a US$80 por barril, o banco estima retorno de fluxo de caixa livre de 15% e dividend yield (proporção dos dividendos pagos em relação ao preço da ação) total de 12%, sendo 11% em dividendos ordinários e 1% em dividendos extraordinários.
O banco estima que a empresa poderia distribuir até US$2 bilhões em dividendos extras em 2027 e US$5 bilhões em 2028, a depender do comportamento dos preços do petróleo e das decisões de alocação de capital da companhia.
Para 2026, no entanto, o Santander não espera distribuições extraordinárias. A prioridade da Petrobras, segundo o banco, será reduzir sua dívida bruta até a meta de US$65 bilhões até o final do ano.
A discussão sobre dividendos extras deve voltar à tona com a divulgação do novo Plano Estratégico 2027-31.
Os principais riscos apontados pelo banco incluem eventuais aquisições que possam consumir caixa (a Petrobras tem sinalizado interesse na compra de ativos de etanol de milho), queda no preço do petróleo e mudanças na política de dividendos da companhia.