Fernando Melgarejo: "Hoje eu não vejo essa possibilidade ou, se ela existe, ela é muito baixa aqui na nossa visão", afirmou (Agência Petrobras/Divulgação)
Repórter
Publicado em 12 de maio de 2026 às 13h38.
A Petrobras indicou nesta terça-feira, 12, que não vê espaço para o pagamento de dividendos extraordinários neste ano. Em teleconferência com analistas sobre os resultados da estatal no 1° trimestre, Fernando Melgarejo, diretor executivo da empresa, disse ver um cenário considerado "muito nublado" para o mercado de petróleo e que a prioridade da companhia está em ampliar investimentos e reduzir o endividamento.
"Não acreditamos que neste ano existe alguma possibilidade de existir [dividendo extraordinário]", afirmou o executivo ao detalhar a política de alocação de capital da companhia.
Segundo Melgarejo, a empresa continuará direcionando eventual excesso de caixa primeiro para projetos rentáveis e para a convergência da dívida bruta ao patamar de US$ 65 bilhões. Apenas em um cenário em que a companhia identifique excesso de caixa sem impacto sobre investimentos futuros seria considerada uma distribuição extraordinária aos acionistas.
"O caminho continua sendo o mesmo que a gente sempre veio discutindo aqui na companhia, que a gente não gostaria de trabalhar com excesso de caixa", disse.
Na resposta à última pergunta da conferência, feita pelo analista Bruno Amorim, do Goldman Sachs, o executivo voltou ao tema e reforçou que a possibilidade de dividendos extraordinários neste ano é "muito baixa" ou quase inexistente neste momento.
Melgarejo explicou que cerca de 45% de qualquer aumento de receita operacional já é automaticamente destinado aos dividendos ordinários da companhia, conforme a política vigente. Depois disso, os recursos adicionais seguem para investimentos e redução da dívida. "Hoje eu não vejo essa possibilidade ou, se ela existe, ela é muito baixa aqui na nossa visão", afirmou.
O diretor financeiro também justificou a cautela pela forte volatilidade recente do petróleo no mercado internacional. Segundo ele, oscilações bruscas no preço do Brent impedem que a empresa tenha segurança para antecipar qualquer distribuição extraordinária.
"Já acordou um dia com o Brent a 110 [dólares] e, quando foi dormir, o Brent veio a US$ 90. Vinte dólares de volatilidade num dia não nos dá segurança para tomar nenhuma decisão que vá distribuir dividendo até lá", disse.
A sinalização ocorre um dia após a Petrobras divulgar o balanço do primeiro trimestre de 2026. A companhia aprovou o pagamento de R$ 9 bilhões em dividendos referentes ao período, equivalente a cerca de 45% do fluxo de caixa livre gerado no trimestre, de R$ 20,1 bilhões.
O desembolso efetivo da empresa no período, porém, foi maior, de R$ 11,6 bilhões, devido ao pagamento de parcelas aprovadas em trimestres anteriores.
Os dividendos anunciados serão pagos em duas parcelas de R$ 0,35 por ação, ambas na forma de juros sobre capital próprio. A primeira será paga em 20 de agosto de 2026 e a segunda em 21 de setembro de 2026. Terão direito aos proventos os acionistas posicionados na base da companhia até 1º de junho.