Invest

O que explica a reação tímida do mercado aos 'big numbers' da Nvidia

Os papéis chegaram a cair no after-market logo após a divulgação do balanço e nesta quinta, 21, oscilam entre leves perdas e ganhos

Ações da Nvidia: movimento contrastou com os resultados apresentados pela gigante dos chips de inteligência artificial, que voltou a superar as expectativas de Wall Street

Ações da Nvidia: movimento contrastou com os resultados apresentados pela gigante dos chips de inteligência artificial, que voltou a superar as expectativas de Wall Street

Publicado em 21 de maio de 2026 às 10h51.

Priorizar nos meus resultados Google

Após divulgar um balanço com resultados históricos na noite de quarta-feira, 20, a Nvidia (NVDA) viu suas ações reagirem de forma tímida, e até negativa, no mercado. Os papéis chegaram a cair no after-market logo após a divulgação dos números e, nesta quinta-feira, 21, operavam em queda de 1,11% no pré-mercado. Às 10h40, logo no início do pregão, as ações operavam estáveis, mas com viés de queda, ao registrarem ligeira queda de 0,07%.

O movimento contrastou com os resultados apresentados pela gigante dos chips de inteligência artificial, que voltou a superar as expectativas de Wall Street.

No primeiro trimestre fiscal de 2027, referente ao período entre fevereiro e abril de 2026, a Nvidia reportou lucro líquido de US$ 58,3 bilhões, alta de 211% na comparação anual. Excluindo ganhos não recorrentes de cerca de US$ 15,9 bilhões, o lucro ajustado ficou em US$ 45,5 bilhões, avanço de 139%.

O lucro por ação ajustado, principal referência acompanhada pelo mercado, foi de US$ 1,87, acima tanto dos US$ 0,78 registrados um ano antes quanto do consenso de analistas, que previa US$ 1,77.

A receita total somou US$ 81,6 bilhões, crescimento de 85% em relação ao mesmo período do ano passado. O principal motor continuou sendo o segmento de Data Center, impulsionado pela corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

Somente os grandes provedores de nuvem pública — como AWS, Azure e Google Cloud — responderam por US$ 37,9 bilhões em receita. Outros US$ 37,4 bilhões vieram de empresas que constroem suas próprias nuvens de IA, além de indústrias e corporações que passaram a instalar infraestrutura própria para inteligência artificial.

A companhia também informou que todos os grandes provedores globais de nuvem compraram chips Blackwell, atual geração de GPUs da Nvidia voltadas ao treinamento e execução de modelos de IA.

Além do crescimento operacional, a empresa ampliou a remuneração aos acionistas. A Nvidia gerou US$ 48,6 bilhões em caixa livre no trimestre, aprovou um novo programa de recompra de ações de US$ 80 bilhões e elevou o dividendo trimestral de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação.

Apesar do resultado e do aumento dos dividendos, Nvidia não impressiona investidores

Mas foi justamente esse nível elevado de expectativa que ajudou a explicar a reação morna do mercado. Analistas apontam que a Nvidia continua entregando resultados robustos, mas enfrenta um desafio crescente: superar expectativas cada vez mais altas em uma empresa que já se tornou uma das maiores e mais valiosas do mundo.

Analistas destacaram que a leve desaceleração na receita de computação de Data Center pode servir como um pequeno sinal de alerta sobre eventual perda de participação de mercado. Ainda assim, afirmam que a fraqueza foi compensada pelo desempenho da divisão de networking e pela projeção positiva para o segundo trimestre fiscal.

Parte do mercado também reforçou o debate em torno dos compromissos agressivos de fornecimento assumidos pela companhia. Para os investidores mais otimistas, isso indica que a Nvidia está garantindo componentes para atender à demanda crescente por IA. Já os mais cautelosos veem risco de excesso de estoque caso a expansão do mercado desacelere.

Na avaliação dos agentes financeiros, porém, grande parte das boas notícias já parecia incorporada ao preço das ações. Antes da divulgação do balanço, os papéis acumulavam alta de cerca de 20% no ano.

Projeção de vendas frustra

A projeção de vendas também provocou uma reação morna dos investidores, mesmo com a receita vinda de operadores de data centers continuando a crescer com força.

As vendas nos três meses encerrados em julho devem ficar em cerca de US$ 91 bilhões. Embora analistas estimassem, em média, US$ 87 bilhões, as projeções chegavam a US$ 96 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

"A Nvidia entregou outro resultado acima do esperado, mas, neste ponto, isso já está essencialmente precificado, já que a empresa vem superando as expectativas trimestre após trimestre", disse Jacob Bourne, analista da Emarketer, em nota. "A questão que permanece é se ela conseguirá convencer os investidores de que a expansão da IA terá fôlego em 2027 e 2028".

Preocupação com a sustentabilidade dos resultados explica "apatia"

Em análise publicada pelo Financial Times, Daniel Newman, diretor executivo da consultoria The Futurum Group, afirmou que a reação "apática" dos investidores reflete preocupações sobre a capacidade da Nvidia de sustentar taxas explosivas de crescimento daqui para frente.

Segundo ele, a empresa começa a ser vista mais como uma gigante consolidada de tecnologia do que como uma aposta de crescimento exponencial. "Há uma lei dos grandes números aqui: a Nvidia começa a se parecer mais com a Apple. Um lugar seguro para investir", afirmou.

A percepção de maturidade também aparece nas projeções para os próximos anos. Analistas ouvidos pelo jornal inglês estimam que o crescimento da receita da Nvidia desacelere para cerca de 36% no próximo ano fiscal, ainda elevado, mas muito abaixo das taxas observadas durante o auge do boom da inteligência artificial.

Outro ponto que continua no radar dos investidores é o aumento da concorrência. Apesar da liderança absoluta no mercado de aceleradores de IA, a Nvidia enfrenta rivais cada vez mais agressivos, como AMD, Broadcom e Intel, além dos próprios clientes, como Google e Amazon, que desenvolvem chips próprios.

"A Nvidia é a maior vendedora de aceleradores de IA, chips usados ​​para desenvolver modelos de inteligência artificial. Mas enfrenta uma concorrência crescente de todo o Vale do Silício. A Advanced Micro Devices Inc. possui processadores rivais, e a Broadcom Inc. e o Google, da Alphabet Inc., estão entrando no mercado com suas próprias tecnologias", afirmou a Bloomberg.

Nvidia abre composição da receita de Data Center

Em meio a esse cenário, a companhia tentou mostrar ao mercado que está diversificando sua base de clientes. Pela primeira vez, detalhou a composição da receita de Data Center e informou que recebe volumes semelhantes tanto das grandes empresas de tecnologia quanto de outros clientes, incluindo empresas menores de infraestrutura, indústrias e corporações.

A receita dos data centers no trimestre foi de US$75,2 bilhões, em comparação com a estimativa média dos analistas de US$72,8 bilhões. Em termos ajustados, a empresa obteve um lucro de US$1,87 por ação, em comparação com as estimativas de mercado de US$1,76.

A Nvidia também reforçou sua aposta em novas frentes de crescimento. Em teleconferência com analistas, o CEO Jensen Huang afirmou que, no futuro, a chamada "IA física" — aplicada a robôs e veículos autônomos — deverá abrir uma nova e gigantesca oportunidade de mercado para a empresa.

Mesmo assim, os números recordes não foram suficientes para provocar euforia em Wall Street.

Acompanhe tudo sobre:NvidiaBalançosTecnologiaInteligência artificial

Mais de Invest

Balanço do Bradesco e emprego nos EUA: o que move os mercados

Balanço da Meta no 3º tri vem acima do esperado; empresa cria ação sem voto

Ibovespa cai quase 1% com empate entre Flávio e Lula nas pesquisas; dólar vai a R$ 5,03

Balanço da Tesla no 3º tri supera lucro esperado, mas gastos com IA disparam