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Para que serve a digitalização das redes de distribuição de energia elétrica?

Tecnologias, para além dos medidores inteligentes, auxiliam o melhor funcionamento do sistema elétrico

Medidores inteligentes: rede passa a gerar informações continuamente, permitindo identificar falhas, isolar trechos afetados e restabelecer o fornecimento com mais rapidez (Adobe Stock/Divulgação)

Medidores inteligentes: rede passa a gerar informações continuamente, permitindo identificar falhas, isolar trechos afetados e restabelecer o fornecimento com mais rapidez (Adobe Stock/Divulgação)

Publicado em 21 de maio de 2026 às 12h25.

Última atualização em 21 de maio de 2026 às 12h29.

A digitalização das redes de distribuição entrou definitivamente na agenda regulatória com a publicação da Portaria Normativa nº 111, do MME. Ela estabeleceu diretrizes para modernizar as redes de baixa tensão na próxima década, definiu a implantação mínima anual de medição inteligente nos próximos dois anos e tornou obrigatória a análise de custo-benefício como condição para o reconhecimento tarifário dos investimentos a partir de 2028.

Incentivos à modernização também passaram a constar na minuta dos novos termos aditivos de concessão, consolidando o tema como uma das prioridades para o setor.

Tradicionalmente, as redes operavam de forma essencialmente passiva: entregavam energia, mas tinham pouca visibilidade, em tempo real, sobre o que ocorria ao longo de seus quilômetros de cabos e equipamentos. Quando há uma interrupção, o consumidor geralmente aciona a distribuidora, que envia equipes para percorrer trechos da rede até localizar a falha.

Em casos mais amplos, o restabelecimento pode depender do isolamento sucessivo de áreas até que o ponto exato do problema seja identificado, um processo que pode levar bastante tempo, simplesmente porque a rede tradicional não fornece informações suficientes para uma resposta imediata.

A digitalização rompe esse modelo ao integrar medição inteligente, sensores, telecomunicações, automação, sistemas de gestão de dados e cibersegurança. A rede passa a gerar informações continuamente, permitindo identificar falhas automaticamente, isolar trechos afetados e restabelecer o fornecimento com maior rapidez.

Também possibilita monitorar perdas com mais precisão, reduzir deslocamentos de equipes operacionais e planejar investimentos com base no uso real dos equipamentos.

Em vez de atuar apenas de forma reativa, a distribuidora passa a operar com base em dados e inteligência, algo especialmente relevante em um cenário de crescimento da geração distribuída, eletrificação e eventos climáticos severos mais frequentes.

Para o consumidor, os ganhos também são concretos: acesso mais detalhado às informações de consumo, serviços digitais mais ágeis, menor tempo de interrupção e possibilidade de modelos tarifários mais flexíveis.

A digitalização é ainda pré-condição para ampliar a liberdade de escolha no mercado de energia e viabilizar iniciativas como o Open Energy, que permite o compartilhamento de dados de consumo e contratos de energia entre agentes, com o aval do consumidor.

Essa transformação exige investimentos relevantes, e será fundamental avaliar sua viabilidade à luz das características de cada concessão. A análise de custo-benefício torna-se, portanto, instrumento central para verificar se os ganhos para as distribuidoras e para os consumidores justificam os recursos empregados, preservando a modicidade tarifária.

Assim, a digitalização das redes não é um fim em si mesma, mas o caminho para um setor elétrico mais eficiente, resiliente e preparado para as transformações econômicas e tecnológicas em curso. A discussão agora é como viabilizar essa transformação de forma estruturada, responsável e economicamente sustentável.

Acompanhe tudo sobre:PSR Energia em foco

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