Hollywood em 2025: ano teve desempenho morno de diversas gigantes, e 2026 será ditado pela IA. (Montagem EXAME/Exame)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 13h51.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 13h52.
2025 foi um ano forte para o mercado de ações dos Estados Unidos, com o índice amplo S&P 500 avançando 17,5% no ano. Diversas áreas da economia norte-americana foram beneficiadas durante o período, com destaque para as empresas de inteligência artificial, como a Nvidia.
Na mídia, porém, os resultados foram mistos. Foi um ano de grandes compras, como o leilão da Warner, de recordes em investimentos, como os US$ 24 bilhões da Disney, e de bilheterias altíssimas, como de Zootopia 2 e Avatar: Fogo e Cinza.
Também foram doze meses atípicos em Hollywood, com a IA chegando à indústria aos trancos e barrancos e uma certa falta de grandes blockbusters durante o meio do ano. Isso se refletiu nas ações das empresas.
O grande vencedor de 2025 no mercado de ações foi a Fox Corp. A empresa encerrou 2025 no maior patamar de 52 semanas, com suas ações fechando a US$ 64,93 na virada, uma alta de 37,3% no acumulado do ano, ante US$ 48,58 no fim de 2024.
Esse desempenho vem após anos de mudanças radicais na empresa, que foi vendida à Disney em 2019.
O CEO Rob Wade explicou ao The Hollywood Reporter em novembro que a estratégia atual da Fox é menos agressiva que a de outras empresas de mídia, mas preza por um portifólio diversificado. “Nossa escala menor nos dá agilidade”, afirmou Wade.
A própria Walt Disney Company teve um desempenho morno em Wall Street em 2025. As ações da gigante fecharam a US$ 113,77 no dia último dia 31, com alta de apenas 3,02% em relação aos US$ 110,43 do fechamento de 2024. A empresa mantém sua estabilidade e o status de mais valiosa entre as gigantes de Hollywood no mercado de ações.
Já a Comcast foi a maior "perdedora" de 2025. A empresa viu suas ações fecharem em 31 de dezembro a US$ 29,89, uma queda de cerca de 20% frente aos US$ 37,53 no encerramento de 2024.
A venda da Warner Bros. Discovery foi o maior evento de Hollywood de 2025. Uma disputa entre Netflix e Paramount pela empresa dominou novembro e dezembro, e até agora as negociações não foram finalizadas.
A Netflix, até o momento a vencedora da briga, subiu 5,19%, passando de US$ 89,13 no fechamento de 2024 para US$ 93,76 no fechamento de 2025. Os números são anormalmente contidos para a gigante do streaming, que vinha em uma forte crescente na última década. Wall Street não se animou com a provável aquisição, e a Netflix tem enfrentado baixas nas ações desde o anúncio, no início de dezembro.
Sua rival, a Paramount Skydance, tem tido altas frequentes desde a sua oferta hostil pela Warner. A empresa viu suas ações subirem pouco mais de 29% em 2025, após fecharem a US$ 13,40.
O objeto da disputa também tem se beneficiado. As ações da Warner fecharam a US$ 28,94 no dia 31, dispararam 172% ao longo de 2025, ante US$ 10,57 no fim de 2024. Mesmo com esse crescimento, superior ao da Fox, a empresa continua afogada em dívidas e confia na venda como única saída.
Além de Hollywood, outros segmentos de entretenimento apresentaram um bom 2025, sobretudo no streaming. O Roku é o maior case de sucesso e fechou o ano a US$ 108,49, com alta de pouco menos de 50% no acumulado do ano.
Na música, a Spotify teve uma alta de 29.8% durante o ano, cujas ações fecharam a US$ 580,71 no último dia do ano, frente aos US$ 447,38 do fim de 2024. O próprio valor das ações já é um dos mais altos na mídia, e, com o crescimento, faz da gigante do streaming uma das grandes "vencedoras" do ano.
A iHeartMedia é outra empresa do ramo musical que cresceu expressivamente no ano, com ações que encerraram 31 de dezembro a US$ 4,16, avanço de 109% no acumulado do ano, após abrirem 2025 a US$ 2,02.
Entre as ações do setor de games, a Electronic Arts registrou uma alta de 40% no acumulado do ano, com suas ações fechando a US$ 204,33 na virada.
Em 2025, grandes empresas tradicionais da mídia tiveram um ano morno, e a Netflix mostrou pela primeira vez sinais de desaceleração. Acima das tensões e negociações, a IA tem se mostrado cada vez mais como uma possibilidade preocupante.
“No longo prazo, vemos a IA generativa como a força mais consequente na transformação do ecossistema do entretenimento”, afirmou o analista Benjamin Swinburne, do Morgan Stanley, em seu relatório de prévia para o novo ano, citado pelo Hollywood Reporter.
“Ela é, ao mesmo tempo, um catalisador para uma inovação de produtos mais rápida e expansão de margens, e uma fonte de incerteza genuína para as equipes de gestão, que precisam lidar com impactos potenciais no comportamento do público, na monetização de propriedade intelectual e na intensidade competitiva", diz.
Ele também aponta duas outras tendências-chave: a “continuidade do ajuste do mercado de streaming, inclusive por meio da consolidação do setor”, e o “crescimento robusto tanto das receitas publicitárias quanto dos gastos dos consumidores com experiências premium de entretenimento”.
Já no streaming, Swinburne aponta preferência por ações de empresas como Netflix e Spotify, que tendem a se beneficiar da inteligência artificial para acelerar crescimento, margens e engajamento. A aquisição da Warner Bros. pela Netflix, segundo o analista, representa uma aposta de alto risco, mas com potencial de fortalecer a liderança da companhia no mercado de streaming e reprecificar suas ações ao longo de 2026.