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Petróleo surpreende e sobe apesar de trégua no radar dos EUA e Irã

Declarações de Trump sobre possível fim da guerra com o Irã reduzem aversão ao risco, mas oferta segue pressionada

Petróleo: preço do barril está ligado à guerra no Irã. (Montagem com elementos Canva/Exame)

Petróleo: preço do barril está ligado à guerra no Irã. (Montagem com elementos Canva/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 15 de abril de 2026 às 07h04.

Os futuros do petróleo foram contra as expectativas do mercado e passaram a subir na manhã desta quarta-feira, 15. Após abrirem o pregão em queda entre 0,1% e 0,4%, os contratos avançavam cerca de 1,40% por volta das 6h.

Referência global de preços, os contratos futuros do Brent para junho avançavam 1,42%, a US$ 96,14. Já os futuros de maio do West Texas Intermediate (WTI), parâmetro de preços nos Estados Unidos (EUA), subiam 1,24%, a US$ 92,41.

A perspectiva de resolução do conflito no Oriente Médio tem mexido no prêmio de risco embutido nos contratos de curto prazo da commodity, em que os preços estavam inflados nas semanas anteriores ao cessar-fogo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista à Fox Business que a guerra com o Irã está "muito perto do fim" e sinalizou uma segunda rodada de negociações com Teerã ainda nesta semana.

A declaração parecia ter sido suficiente para conter o apetite por ativos de proteção e inclinar o mercado para o otimismo, segundo fontes consultadas pelo Wall Street Journal. Entretanto, a sinalização do possível fim da guerra não foi suficiente para segurar os preços.

Oferta ainda restrita

O fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do suprimento global da commodity — ainda não se normalizou, e o bloqueio mantido pelos EUA continua pressionando a oferta.

A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) espera que a demanda global por petróleo recue este ano pela primeira vez desde a pandemia de 2020.

De acordo com a IEA, as cotações atuais podem ainda não refletir toda a extensão da disrupção em curso.

Analistas do Goldman Sachs avaliam, porém, que "o prêmio de risco no curto prazo da curva de preços do petróleo diminuiu desde o anúncio do cessar-fogo". A probabilidade de um acordo de paz no curto prazo aumentou.

Dólar, ouro e mercados

Os futuros do S&P 500, do Dow Jones e do Nasdaq operavam com leve retração, próximos a zero. Na Ásia, o Kospi sul-coreano liderou com alta de 2,1%, enquanto Nikkei e Hang Seng avançaram 0,4% cada.

Na Europa, o DAX alemão e FTSE 100 britânico subiram 0,15% e 0,2%, respectivamente, conforme dados compilados pelo Wall Street Journal.

O índice do dólar (DXY) ficou estável em 98.157, após cair para 97.969 na terça-feira, 14, com investidores evitando ampliar posições enquanto aguardam avanços concretos nas negociações de paz.

Os títulos públicos do Tesouro dos EUA, Treasuries, recuaram levemente, com o papel de 30 anos cedendo 1,1 ponto-base, para 4,857%.

Já o ouro seguia acima de US$ 4.800 a onça troy, a caminho de ganho semanal superior a 1%, ao passo que o cobre subiu 0,2% em Londres, para US$ 13.317 a tonelada, o maior nível desde fevereiro.

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