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Irã avalia interromper envios pelo Estreito de Ormuz para fugir de bloqueio dos EUA

Segundo agência de notícias, a estratégia está sendo estudada pelo governo de Teerã para preservar negociações diplomáticas

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo. (Stringer/Reuters)

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo. (Stringer/Reuters)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 14 de abril de 2026 às 15h10.

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O Irã avalia interromper temporariamente os envios pelo Estreito de Ormuz para evitar confronto com os Estados Unidos e preservar negociações diplomáticas em curso[/grifar], segundo informações da Bloomberg com base em fonte próxima às discussões em Teerã.

A possível medida ocorre em um momento de articulação entre autoridades iranianas e americanas para viabilizar uma nova rodada de conversas presenciais. A pausa teria como objetivo reduzir o risco de escalada imediata enquanto os dois países discutem a extensão de um cessar-fogo.

"Se o Irã de fato pausar os envios, seria um sinal de que seu governo também busca desescalar e evitar a retomada da guerra aberta", afirmou Rachel Ziemba, pesquisadora sênior do Center for a New American Security, em entrevista à Bloomberg.

"Pausar o transporte acrescentaria interrupções temporárias ao mercado de petróleo, embora os mercados globais provavelmente se concentrassem na possibilidade de acordo, e não na interrupção de curto prazo".

Autoridades iranianas não comentaram o tema. A embaixada do país no Reino Unido e o Ministério das Relações Exteriores, em Teerã, não responderam aos questionamentos enviados.

Mercado de Petróleo reage

Os Estados Unidos e o Irã discutem novas negociações antes do fim da trégua previsto para a próxima semana, enquanto o governo de Donald Trump mantém um bloqueio naval com o objetivo de restringir exportações de petróleo iraniano.

A interrupção temporária do tráfego marítimo é considerada uma alternativa para evitar incidentes que comprometam o diálogo diplomático. Mesmo assim, as decisões dentro do governo iraniano permanecem em aberto, com possibilidade de mudança de estratégia por parte da Guarda Revolucionária.

O Estreito de Ormuz concentra atenção de operadores globais de energia. O Irã restringe a passagem de embarcações estrangeiras, enquanto os Estados Unidos ampliam sua presença naval na região.

No mercado, contratos futuros reagiram ao cenário. O petróleo Brent registrou queda de cerca de US$ 1,20 por barril, sendo negociado próximo a US$ 98.

"Não acho que seja uma grande concessão do lado iraniano, mas poderia servir como uma medida de construção de confiança antes da próxima rodada de negociações", disse Aniseh Bassiri Tabrizi, analista sênior da Control Risks, com sede em Abu Dhabi.

"Nesse sentido, provavelmente há mais a ganhar do que a perder para Teerã se eles apenas interromperem os envios por alguns dias".

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