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Mais de 1,4 milhão de operações já foram renegociadas com Novo Desenrola, diz governo

Programa reduziu as dívidas das famílias de R$ 20 bilhões para menos de R$ 3 bilhões

Desenrola 2.0: programa começou no começo de maio (Tom Werner/Getty Images)

Desenrola 2.0: programa começou no começo de maio (Tom Werner/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 4 de junho de 2026 às 20h38.

Última atualização em 5 de junho de 2026 às 08h41.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que o Novo Desenrola conseguiu reduzir o estoque de dívida original das famílias brasileiras de R$ 20 bilhões para menos de R$ 3 bilhões.

Segundo ela, desde o lançamento do programa, em 4 de maio, já foram renegociadas 1,4 milhão de operações, com desconto médio de 85% sobre o valor das dívidas.

“O Novo Desenrola Brasil, com 24 dias de operação, já renegociou 1,4 milhão de operações com descontos de 85%, em média, na dívida original. De R$ 20 bilhões, a dívida caiu para menos de R$ 3 bilhões para essas famílias. Mais de metade delas, 854 mil, com o desconto obtido, puderam quitar à vista as dívidas”, disse a ministra durante reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto e conduzida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Como funciona o Desenrola?

O principal eixo da iniciativa é o Desenrola Famílias, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos.

A proposta mira justamente a parcela mais pressionada da população, em um cenário em que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 29,7% em fevereiro, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2005.

Na prática, o programa permite a renegociação de débitos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, desde que tenham sido contratados até 31 de janeiro de 2026 e estejam dentro da faixa de atraso estabelecida.

As condições incluem descontos relevantes, que variam conforme o tipo de dívida e o tempo de inadimplência: de 30% a 90% no total. No caso de rotativo do cartão e cheque especial, os abatimentos vão de 40% a 90%, enquanto no crédito pessoal ficam entre 30% e 80%.

Além dos descontos, o programa estabelece limites claros para tornar a renegociação mais acessível. A taxa de juros máxima será de 1,99% ao mês, e o prazo de parcelamento pode chegar a até 48 meses para contratos em atraso. A renegociação será feita diretamente pelos canais oficiais dos bancos.

Outro ponto relevante é a limpeza automática do nome de consumidores com dívidas de até R$ 100, que deverão ser perdoadas pelas instituições financeiras. Mas lembrando, o nome fica limpo somente com o banco. Caso ela tenha dívidas com outras instituições, a negativação continua.

Para quem aderir ao programa, também haverá restrições: o CPF ficará bloqueado para apostas em casas de apostas por um período de 12 meses.

Para viabilizar a operação, os bancos contarão com garantias públicas e terão algumas contrapartidas. Entre elas, estão a obrigação de limpar o nome dos clientes tanto nas dívidas de até R$ 100 quanto nas renegociadas, destinar 1% do valor garantido pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO) para ações de educação financeira e impedir o uso de crédito para apostas.

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