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EUA bloqueia comércio marítmo do Irã e Trump diz que guerra pode estar no fim

Operação naval paralisa exportações iranianas e mercado reage com queda do petróleo

Guerra: navios no Estreito de Ormuz refletem impacto do bloqueio no comércio global. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Guerra: navios no Estreito de Ormuz refletem impacto do bloqueio no comércio global. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Publicado em 15 de abril de 2026 às 06h17.

Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira, 15, que interromperam completamente o comércio marítimo do Irã, ao mesmo tempo em que o presidente Donald Trump sinalizou que a guerra pode terminar de maneira dimoplatica com Teerã nos próximos dias.

Segundo o comando militar americano, o bloqueio naval imposto no início da semana já conseguiu paralisar o fluxo econômico marítimo iraniano, responsável por cerca de 90% da atividade externa do país.

A operação ocorre após o fracasso das negociações no fim de semana, realizadas em Islamabad, e em meio a uma trégua de duas semanas que segue em vigor até 21 de abril.

Apesar da escalada militar, Trump afirmou que há expectativa de avanço diplomático. Em entrevista, o presidente dos EUA disse que novas conversas entre autoridades dos EUA e do Irã podem ocorrer “nos próximos dois dias” e que um acordo é preferível ao prolongamento da guerra.

"Pode terminar de qualquer forma, mas um acordo é melhor porque permite reconstrução", afirmou o republicano.

O vice-presidente J. D. Vance, que liderou as negociações recentes, afirmou ver progresso, apesar de reconhecer o alto nível de desconfiança entre os dois países.

Bloqueio avança e pressiona fluxo de petróleo

Mesmo com a sinalização de diálogo, a ofensiva militar segue em curso. Navios petroleiros têm sido interceptados ou forçados a mudar de rota, incluindo embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, principal corredor global para transporte de petróleo e gás.

A restrição ao tráfego marítimo já afeta diretamente o mercado internacional. Após semanas de alta, os preços do petróleo recuaram pela segunda sessão consecutiva, com investidores reagindo à possibilidade de retomada das negociações.

O bloqueio reduz a oferta global de petróleo e pode pressionar novamente os preços, especialmente se as sanções americanas forem ampliadas.

O governo dos EUA também avalia não renovar permissões temporárias para compra de petróleo iraniano e russo.

Impasse nuclear segue como principal obstáculo

As negociações esbarram principalmente no programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos defendem a suspensão das atividades por até 20 anos, enquanto o Irã propõe um prazo menor, entre três e cinco anos.

Além disso, Washington pressiona pela retirada de material nuclear enriquecido do território iraniano, enquanto Teerã exige o fim das sanções internacionais.

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, afirmou que a duração de qualquer acordo será uma decisão política, mas indicou que há espaço para compromisso entre as partes.

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, já deixou cerca de 5 mil mortos, incluindo vítimas no Irã e no Líbano. Embora os combates tenham diminuído após o cessar-fogo, ataques continuam em áreas como o sul do Líbano, envolvendo forças ligadas ao Hezbollah.

A guerra também já provocou danos à infraestrutura energética e interrompeu cadeias de fornecimento, elevando o risco de uma crise global de energia. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo mundial passava pelo Estreito de Ormuz.

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