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Mercados globais reagem à crise no Estreito de Ormuz

Objetivo é destravar Estreito de Ormuz e aliviar impacto do petróleo sobre inflação global; Trump deu prazo para reabertura do canal até esta terça-feira, 7

Guerra: Trump renova prazo, Irã não cede e aliados tentam evitar nova escalada. (Elaheh ASIABI/FARS NEWS AGENCY/AFP/Getty Images)

Guerra: Trump renova prazo, Irã não cede e aliados tentam evitar nova escalada. (Elaheh ASIABI/FARS NEWS AGENCY/AFP/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 6 de abril de 2026 às 07h05.

Aliados dos Estados Unidos articulam uma ofensiva diplomática de última hora para forçar um cessar-fogo no Irã, enquanto o presidente Donald Trump estendeu até a terça-feira, 7, o prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz.

O canal é responsável por 20% do escoamento global de petróleo e foi fechado por Teerã em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, impactando o tráfego de petroleiros e elevando os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril.

O impasse mantém os mercados globais em estado de alerta e pressiona ainda mais os preços de energia, já em níveis críticos. Paquistão, Egito e Turquia trabalham para viabilizar um acordo que visa suspender as hostilidades por 45 dias.

Os EUA tentam negociar um cessar-fogo. O objetivo é evitar tanto novos ataques americanos à infraestrutura energética iraniana quanto retaliações do Irã contra países vizinhos, segundo informações do Axios divulgadas pela Bloomberg.

Trump ameaça Irã

Trump reiterou ameaças duras ao Irã no domingo, 5, sinalizando um novo prazo às 20h de terça-feira para a reabertura de Ormuz, sem fornecer detalhes. Ele disse que destruiria as usinas nucleares do Irã e explodiria "tudo por lá."

A iniciativa representa mais um capítulo em uma série de prorrogações que o presidente vem adotando desde 21 de março, quando emitiu o primeiro ultimato nesse sentido.

Desde então, Teerã rejeita as exigências. A posição iraniana, conforme fontes reportaram à Bloomberg, é de que a retomada plena das operações no estreito só ocorrerá mediante compensação pelos danos de guerra sofridos pelo país.

O ministro israelense do gabinete de segurança, Zeev Elkin, avaliou que, caso as negociações resultem em "um atraso muito dramático" no programa nuclear iraniano e na remoção do urânio enriquecido do país, esses seriam resultados positivos.

Impactos na economia

Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) elevaram suas cotas de produção para maio, mas o gesto é considerado essencialmente simbólico, dado que o conflito limita a capacidade real de extração e exportação.

Além da alta dos preços do petróleo, a pressão da guerra no Irã já acende alertas de uma crise global no setor de energia. Investidores vêm reagindo de forma sensível, aliviando perdas quando há sinais de que as tensões acabariam em breve.

A alta dos custos de derivados como querosene de aviação e diesel também representa um risco adicional de inflação para a economia americana.

Nos EUA, o preço médio nacional da gasolina nos postos superou US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022, de acordo com dados consultados pela Bloomberg.

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