Decisões sobre os juros: chamada "super quarta" concentra decisões de política monetária no Brasil e no exterior (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 05h30.
Os mercados chegam a esta quarta-feira, 28, embalados pelo novo recorde da bolsa brasileira, mas com os olhos voltados para um dia decisivo no calendário global.
A chamada "super quarta" concentra decisões de política monetária no Brasil e no exterior, além de discursos de autoridades e a divulgação de balanços corporativos de peso, em um ambiente em que a direção dos próximos movimentos deve ser ditada muito mais pelo tom da comunicação do que por mudanças efetivas nas taxas de juros.
A agenda começa cedo no exterior, com a divulgação do índice de confiança do consumidor GfK na Alemanha, às 4h.
Mas o foco do mercado ao longo do dia estará, sobretudo, nos bancos centrais. Às 11h45, o Banco do Canadá anuncia sua decisão de política monetária, com expectativa majoritária de manutenção da taxa básica em 2,25%.
A leitura dos investidores é de que, assim como em outras economias desenvolvidas, o comunicado e o sinal sobre os próximos passos tendem a ser mais relevantes do que a decisão em si.
No período da tarde, os holofotes se voltam para os Estados Unidos. Às 16h, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) divulga sua decisão de política monetária, com a expectativa de interrupção do ciclo de flexibilização retomado em setembro e manutenção dos fed funds no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Ainda que a taxa deva permanecer inalterada, o mercado monitora a possibilidade de divergências internas no comitê, com eventuais votos favoráveis a um corte de juros.
Logo depois, às 16h30, o presidente do Fed, Jerome Powell, concede coletiva de imprensa, que será acompanhada com atenção redobrada. Trata-se de sua primeira aparição pública desde que veio a público a investigação criminal conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA relacionada aos custos da reforma dos prédios do Fed.
No Brasil, a super quarta se completa no fim do dia. Às 18h30, o Banco Central anuncia a decisão sobre a taxa básica de juros. Assim como no caso do Fed, a expectativa predominante do mercado é de manutenção da Selic, com foco no conteúdo do comunicado e nos sinais sobre a condução futura da política monetária.
Mais cedo, às 14h30, o BC divulga o fluxo cambial semanal até 23 de janeiro, outro dado acompanhado pelos investidores em meio ao forte desempenho recente dos ativos locais.
Além das decisões de juros, a agenda internacional inclui, às 12h30, os dados de estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos, divulgados pelo Departamento de Energia, e, às 15h, um discurso de Isabel Schnabel, membro do Banco Central Europeu, na zona do euro.
No campo político, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa às 10h30, adicionando um componente extra de atenção ao noticiário do dia.
No calendário corporativo, os destaques ficam por conta da temporada de balanços nos Estados Unidos, com a divulgação dos resultados de gigantes de tecnologia e indústria, como Microsoft, Meta Platforms, Tesla, ASML e IBM.
Os números das big techs tendem a influenciar o humor dos mercados globais, especialmente em um momento de valorização expressiva dos índices acionários.
O pano de fundo para essa agenda carregada é o forte desempenho recente da bolsa brasileira. Na sessão passada, após um pregão de acomodação na véspera, o Ibovespa voltou a ganhar força, renovou máximas históricas ao longo do dia e encerrou em novo recorde de fechamento, aos 181.919 pontos, com alta de 1,79%.
Durante a sessão, o índice chegou a tocar, pela primeira vez, o patamar dos 183 mil pontos, marcando também um recorde intradiário. Ao todo, 68 dos 84 papéis do índice fecharam em alta.
Com o desempenho acumulado até agora, janeiro de 2026 já se consolida como um dos meses de maior valorização da bolsa brasileira em mais de uma década. Desde 2010, apenas 13 meses registraram altas superiores a dois dígitos no Ibovespa, segundo dados da consultoria Elos Ayta.
Em poucas semanas, o índice já somou dez máximas históricas — quase um terço de todos os recordes registrados ao longo de 2025.