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Ibovespa fecha aos 181 mil pontos e caminha para melhor mês em 16 anos

O principal índice acionário da B3 renovou máximas históricas ao longo do dia e encerrou o pregão em novo recorde de fechamento

Ibovespa bate novo recorde: índice fechou com alta de 1,79%, aos 181.919 pontos (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa bate novo recorde: índice fechou com alta de 1,79%, aos 181.919 pontos (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 18h41.

Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 18h59.

Depois de um pregão de acomodação na véspera, o Ibovespa voltou a ganhar força nesta terça-feira, 27. O principal índice acionário da B3 renovou máximas históricas ao longo do dia e encerrou o pregão em novo recorde de fechamento, aos 181.919 pontos, com alta de 1,79%.

Com o resultado na sessão de hoje, o Ibovespa superou o fechamento da sexta-feira, 23, quando o índice havia encerrado aos 178.858 pontos.

Ao longo da sessão, o principal índice da B3 chegou a tocar pela primeira vez na história o patamar dos 183 mil pontos, renovando também o recorde intradiário.

O rali desta terça marcou a retomada do movimento positivo da bolsa brasileira, que havia sido interrompido na segunda-feira, 26, após quatro sessões consecutivas de recordes. Nesta sessão, 68 dos 84 papéis que compõem o índice fecharam em alta.

Diante do desempenho acumulado até agora, janeiro de 2026 já se insere entre os episódios de maior valorização mensal da Bolsa brasileira em mais de uma década.

De acordo com dados da consultoria Elos Ayta, desde 2010 apenas 13 meses registraram altas superiores a dois dígitos no Ibovespa, como novembro de 2023 (12,54%), outubro de 2011 (11,49%) e outubro de 2016 (11,23%).

Apenas neste começo de ano, o índice já acumulou dez máximas históricas, um ritmo acelerado que representa praticamente um terço dos 32 recordes registrados ao longo de todo o ano de 2025.

Por que o Ibovespa avançou nesta terça?

O avanço do índice ganhou tração com a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que subiu 0,20%, abaixo das expectativas do mercado. O dado reforçou a leitura de inflação sob controle na margem, estimulando a tomada de risco e sustentando o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira.

Na avaliação de Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, o IPCA-15 confirma uma inflação ainda controlada no curto prazo, mas traz alertas relevantes na composição. Apesar do alívio pontual vindo das passagens aéreas, os núcleos seguem resilientes, especialmente em serviços subjacentes e bens industrializados, o que reforça uma postura cautelosa do Banco Central.

Para ele, o dado sustenta a expectativa de manutenção da Selic na reunião desta quarta-feira, 28, afastando, por ora, a discussão de cortes no curtíssimo prazo.

Já Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset Management, destaca que, embora os núcleos tenham vindo quantitativamente piores, a trajetória de desinflação permanece. Com isso, a casa mantém o cenário de início do ciclo de cortes na Selic, com uma redução de 25 pontos-base em março.

O rali desta terça-feira foi liderado pelo setor financeiro, que teve desempenho expressivo e contribuiu de forma relevante para o recorde do índice.

As ações preferenciais do Itaú (ITUB4), que têm peso próximo de 9% na composição do Ibovespa, fecharam em alta de 2,65%. As units do Santander (SANB11) avançaram 3,18%, enquanto Bradesco (BBDC4) subiu 2,63% e Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 1,19%. Já as units do BTG Pactual (BPAC11) encerraram o dia com alta de 2,44%.

Entre os maiores destaques individuais do pregão, Raízen (RAIZ4) liderou os ganhos, com valorização de 8,43%, seguida por CSN (CSNA3), que avançou 7,13%, e Yduqs (YDUQ3), com alta de 6,96%. Cyrela (CYRE3) subiu 6,17%, enquanto Assaí (ASAI3) teve ganho de 5,47%.

Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o movimento segue sendo sustentado principalmente pela entrada de capital estrangeiro. “Com a saída de notícias negativas nos Estados Unidos, especialmente ligadas às decisões do presidente Donald Trump, o investidor estrangeiro tem direcionado recursos para mercados emergentes, entre eles o Brasil”, afirma.

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