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Irã e EUA avançam em 'linhas gerais' para um possível acordo nuclear

Irã e Estados Unidos divergem sobre o escopo das negociações

Delegações de Irã e Suíça participam da segunda rodada de negociações a respeito do programa nuclear de Teerã (CYRIL ZINGARO / POOL / AFP)

Delegações de Irã e Suíça participam da segunda rodada de negociações a respeito do programa nuclear de Teerã (CYRIL ZINGARO / POOL / AFP)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 17h52.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou nesta terça-feira, 17, que a mais recente rodada de conversas com os Estados Unidos resultou no acerto das “linhas gerais” de um pacto após semanas de tensões, ameaças mútuas e o envio de um porta-aviões americano ao Oriente Médio como forma de pressão.

As negociações, mediadas por Omã, buscam avançar em um acordo envolvendo o programa nuclear iraniano em troca do possível levantamento de sanções impostas por Washington — medida crucial diante da forte crise econômica que impulsionou protestos recentes no país.

Segundo Araghchi, a rodada de diálogo foi “construtiva”, embora ainda não haja data definida para a continuação das conversas.

Mediação de Omã e avanços técnicos

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, comemorou o que definiu como “avanços” no processo e destacou que as partes progrediram na identificação de objetivos comuns e questões técnicas.

“Ainda há muito a fazer, e as partes saíram com objetivos claros para a próxima reunião”, declarou.

Até o momento, os Estados Unidos não emitiram posicionamento sobre sua avaliação das negociações.

Tensões paralelas: Khamenei adverte Washington 

Enquanto as conversas avançavam, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, fez duras declarações contra os Estados Unidos após o envio de navios de guerra à região.

“Um navio de guerra é perigoso, mas mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo”, afirmou Khamenei.

O porta-aviões USS Abraham Lincoln, com cerca de 80 aeronaves, foi deslocado junto a outros 11 navios de guerra, posicionando-se a aproximadamente 700 km das costas iranianas. O presidente americano Donald Trump também ordenou o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford, realocado do Caribe para reforçar a pressão militar.

A reação de Khamenei ocorreu um dia após a Guarda Revolucionária realizar exercícios militares no estreito de Ormuz com o uso de barcos, helicópteros, drones e mísseis — demonstração de força em uma das rotas mais estratégicas do planeta - por lá, transita cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito mundial.

A mídia estatal iraniana informou que partes do estreito seriam parcialmente fechadas “por segurança”, sem detalhar a duração da medida.

Irã aceita verificações sobre programa nuclear

Em tom mais conciliador, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que o país está disposto a permitir verificações internacionais que comprovem que Teerã não busca desenvolver armas atômicas.

“Não estamos buscando armas nucleares. Se alguém quiser verificar isso, estamos dispostos.”

O Irã afirma manter apenas seu direito ao programa nuclear civil, assegurado pelo Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual é signatário.

Onde ocorrem as negociações e quem participa

As conversas desta terça-feira ocorreram na residência do embaixador de Omã em Cologny, próximo a Genebra, com a presença das delegações iraniana e americana. A equipe dos EUA é liderada pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner.

Trump, que tem endurecido o discurso após a forte repressão aos protestos no Irã em janeiro, ainda mantém aberta a possibilidade de uma saída diplomática para o impasse nuclear.

Pontos de divergência

Irã e Estados Unidos divergem sobre o escopo das negociações:

  • Irã quer discutir apenas o programa nuclear.
  • EUA exigem também o debate sobre o programa de mísseis balísticos e o apoio iraniano a grupos armados regionais.

Mesmo diante dos impasses, Teerã sinalizou que pode negociar o destino de suas reservas de urânio altamente enriquecido — estimadas em mais de 400 kg — caso Washington suspenda as sanções.

Especialistas, porém, afirmam que o Irã enfrenta um dilema: ceder às exigências americanas pode aliviar sanções vitais para sua economia, mas concessões profundas podem afetar sua posição militar e ideológica na região.

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