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Rali da bolsa americana não depende mais das big techs, dizem analistas

Com otimismo econômico e cautela com IA, investidores migram para setores tradicionais

Diversificação: antigas escolhas dos investidores voltam ao foco (ANGELA WEISS/AFP/Getty Images)

Diversificação: antigas escolhas dos investidores voltam ao foco (ANGELA WEISS/AFP/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 06h00.

Depois de anos de protagonismo das gigantes de tecnologia, investidores em Wall Street começam 2026 apostando em um movimento diferente: vender ações do setor de tecnologia e direcionar recursos para empresas de áreas mais tradicionais da economia.

A mudança, conhecida no mercado como “rotação”, reflete um cenário de maior otimismo econômico combinado com uma visão mais cautelosa sobre o ritmo de expansão dos investimentos em inteligência artificial, segundo análise do The Wall Street Journal.

O movimento ficou mais evidente nos primeiros pregões do ano. Enquanto o Dow Jones avançou e se aproximou da marca simbólica de 50 mil pontos, o Nasdaq Composite, mais concentrado em empresas de tecnologia, encontrou dificuldade para ganhar tração.

Um dos catalisadores recentes dessa rotação veio do setor de defesa.

Na última quinta-feira, ações do segmento subiram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defender em uma rede social um orçamento militar de US$ 1,5 trilhão — mais de US$ 500 bilhões acima do valor esperado para o atual ano fiscal.

A sinalização impulsionou papéis como L3Harris Technologies, Lockheed Martin e Northrop Grumman, revertendo perdas registradas na sessão anterior, quando Trump havia criticado fabricantes de armamentos por atrasos e custos elevados.

Segundo Keith Lerner, diretor de investimentos da Truist Advisory Services, citado pelo WSJ, gestores estão buscando novas oportunidades fora da tecnologia, especialmente diante da percepção de uma melhora gradual na atividade econômica. A leitura é de que o setor ainda tem espaço, mas exige uma seleção mais criteriosa de empresas.

De olho no que vai além da IA

Esse filtro já aparece nos preços. A Alphabet continuou avançando, impulsionada pela avaliação de que o grupo consegue defender seu negócio de buscas e, ao mesmo tempo, ganhar escala com o aplicativo de IA Gemini.

As ações chegaram a novo recorde, levando o valor de mercado da companhia a se aproximar de US$ 4 trilhões. Em contraste, a Oracle, associada ao fornecimento de infraestrutura em nuvem para a OpenAI, estendeu a sequência de quedas.

A rotação também beneficiou empresas ligadas ao consumo e à economia doméstica. Papéis como Home Depot e Sherwin-Williams subiram, diante da expectativa de políticas do novo governo voltadas ao estímulo do mercado imobiliário. O índice Russell 2000, que reúne companhias de menor porte, avançou 1,1% e atingiu o primeiro recorde desde dezembro.

Via de regra, os setores com melhor desempenho no início do ano — consumo discricionário e materiais — são justamente os mais sensíveis ao ciclo econômico dos Estados Unidos. Nos primeiros dias do ano, todos os principais índices acumulam ganhos, trazendo a expectativa de que a alta possa se estender ao longo de 2026.

Historicamente, o desempenho de janeiro dita o restante do ano. Dados da Dow Jones Market Data citados pelo jornal mostram que, desde 1950, o S&P 500 seguiu a mesma direção do primeiro mês de pregões em cerca de 68% dos anos.

Por isso, o início positivo de 2026 alimenta a percepção de que a rotação em curso pode ser mais do que um ajuste pontual — e sim um sinal de mudança mais duradoura no apetite dos investidores.

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