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Rumo aos 200 mil pontos: bancos seguem otimistas com Ibovespa após rali

O índice tem renovado recordes com grandes papéis e fluxos estruturais, mas levanta dúvida se há espaço real para novas máximas

Ibovespa bate recordes: superávit mensal de fluxo estrangeiro chegou a R$ 17,7 bilhões, segundo dados da B3 (NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa bate recordes: superávit mensal de fluxo estrangeiro chegou a R$ 17,7 bilhões, segundo dados da B3 (NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 06h00.

Última atualização em 28 de janeiro de 2026 às 06h36.

O Ibovespa acumula uma sequência rara de recordes neste início de ano e já supera parte das projeções desenhadas no fim do ano passado. Ainda assim, na avaliação do Itaú BBA, esse movimento de alta não se esgotou. A leitura técnica do banco indica que o principal índice da Bolsa brasileira tem espaço para buscar a região dos 200 mil pontos, mesmo após a valorização recente.

Nesta terça-feira, 27, o Ibovespa encerrou o pregão em novo recorde, aos 181.919 pontos, depois de tocar os 183 mil pontos durante o pregão.

Segundo o Itaú, a Bolsa segue sustentada pela maior parte dos índices setoriais, muitos deles negociando em máximas históricas ou nos níveis mais altos dos últimos 12 meses.

"Esse alinhamento aumenta a probabilidade de continuidade da tendência de alta. O próximo grande objetivo passa a ser a região dos 200 mil pontos. Do lado da baixa, o índice encontra suportes em 175.500, 172.500 e 163.300 pontos – patamar que mantém a tendência de alta no gráfico diário", disse a instituição em relatório nesta terça.

Recordes em série e entrada de capital estrangeiro

Este mês de janeiro já soma dez máximas históricas, um ritmo acelerado que representa quase um terço de todos os recordes registrados ao longo de 2025. De acordo com a consultoria Elos Ayta, desde 2010 apenas 13 meses registraram altas superiores a dois dígitos no Ibovespa.

O avanço tem sido sustentado principalmente pelo investidor estrangeiro. Apenas na sexta-feira, 23, os aportes externos somaram R$ 2 bilhões, em um dia em que o Ibovespa subiu 1,86%.

Com isso, o fluxo estrangeiro ficou positivo em R$ 17,7 bilhões, segundo dados da B3. O volume registrado apenas na semana passada respondeu por cerca de 59% de todo o fluxo estrangeiro do mês.

Na avaliação do Santander, o rali brasileiro está inserido em um movimento mais amplo de melhora do sentimento em relação aos mercados emergentes, no nível mais forte em anos e frequentemente comparado ao ciclo de 2016.

"Vários gestores observaram que esta é a primeira vez em quase uma década que veem uma demanda tão forte por fundos dedicados a mercados emergentes", afirmou o banco.

A instituição ressalta que essa entrada de capital não se limitam aos investidores tradicionais em mercados emergentes. "Clientes globais com pouca ou nenhuma exposição anterior a mercados emergentes também estão começando a alocar recursos", disse.

Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos principais destinos desse fluxo, embora o Santander observe que os investidores estão começando a ficar mais cautelosos após a valorização recente. Um dos motivos por trás desse influxo são as taxas de juros locais, com muitos aguardando o primeiro corte efetivo da Selic para aumentar a exposição ao país.

O banco também destaca que as ações brasileiras continuam sendo vistas como atrativas em termos de avaliação, mas alerta que o cenário atual exige maior atenção ao momento de entrada e à seletividade por conta de "riscos políticas e macroeconômicos".

"O risco fiscal continua sendo uma preocupação recorrente. Dito isso, alguns investidores estão menos preocupados com a possível continuidade da estrutura política atual, assumindo algum grau de ajuste fiscal. No lado macro global, os riscos de cauda citados incluem uma postura de política monetária mais acomodatícia do que o esperado nos Estados Unidos", disse Aline de Souza Cardoso, estrategista institucional de ações para Brasil do Santander.

BTG vê espaço para avanço, mas destaca concentração do rali

Em relatório divulgado no início de janeiro, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) projetou um cenário otimista para a Bolsa brasileira em 2026, no qual o Ibovespa poderia alcançar até 220 mil pontos.

A instituição ponderou, no entanto, na época, que esse patamar dependeria de uma combinação de fatores, como redução dos prêmios de risco, inflação sob controle e um ambiente macroeconômico relativamente organizado.

Diante do rali recente, o banco destaca que parte do avanço do índice também tem sido puxado por um conjunto restrito de ações de grande capitalização e elevada liquidez, que concentram a maior parte das alocações e exercem peso relevante na formação do Ibovespa.

Ao longo deste mês, nomes como Vale, Petrobras, Marfrig, Prio e Eneva responderam por uma fatia expressiva da alta acumulada do índice, com destaque para a mineradora.

O BTG também chama atenção para o papel das compras via instrumentos passivos, como ETFs, que tendem a amplificar os movimentos do índice ao direcionar recursos automaticamente para as ações de maior peso.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que o Ibovespa segue avançando mesmo com um número limitado de papéis liderando a alta. "A formação de ETFs tem sido forte e está crescendo", afirmou a equipe de estratégia em ações do banco, liderada por Carlos Sequeira.

"Somente neste ano, o número de ETFs EWZ do Brasil aumentou 78% em relação ao ano anterior, enquanto em 2025 cresceu 53%. Neste momento, o número de ações em circulação do EWZ está em seu nível mais alto, superando os níveis observados em 2019, antes da pandemia".

Do lado doméstico, embora os fundos de ações locais ainda registrem resgates líquidos no início do ano, o banco observa uma desaceleração relevante desse movimento em relação a 2025.

"Uma estabilização ou reversão dessa tendência atuaria como um impulso adicional para as ações brasileiras", afirmaram os analistas.

O que observar daqui para frente

Para Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, há espaço para novas altas à medida que o ciclo de queda de juros avance e o custo de capital das empresas diminua. Ao mesmo tempo, ele ressalta que a valorização foi muito forte em um curto espaço de tempo.

"Vale a pena os investidores começarem a adotar uma postura mais cautelosa, colocar stop ou comprar opções de venda para proteger as carteiras, porque qualquer notícia negativa pode fazer com que o mercado comece uma realização mais acentuada", finalizou Mollo.

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