Os mercados começam esta quarta-feira, 14, com atenção redobrada a uma agenda carregada de indicadores macroeconômicos, balanços corporativos e falas de autoridades monetárias
Repórter
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 05h30.
Os mercados começam esta quarta-feira, 14, com atenção redobrada a uma agenda carregada de indicadores macroeconômicos, balanços corporativos e falas de autoridades monetárias, em um ambiente ainda sensível às discussões sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos e à autonomia do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
No Brasil, o principal dado do dia vem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulga às 9h a produção industrial regional de novembro.
No exterior, o destaque é a agenda intensa nos Estados Unidos. Às 10h30, o Bureau of Labor Statistics (BLS) publica os dados do Índice de Preços ao Produtor (PPI), com números de outubro e novembro, além de suas versões núcleo e ajustadas.
Os dados são acompanhados de perto por fornecerem pistas relevantes sobre a trajetória da inflação ao produtor e seus possíveis reflexos sobre a trajetória dos juros. No mesmo horário, saem também os números de vendas no varejo de novembro, fundamentais para avaliar o fôlego do consumo nos EUA.
Ainda ao longo do dia, o mercado reage aos estoques semanais de petróleo bruto, divulgados às 12h30 pelo Departamento de Energia (DoE), e à divulgação, às 16h, do Livro Bege do Fed. O relatório traz um panorama qualitativo da economia nos 12 distritos do banco central americano e costuma influenciar as expectativas para os próximos passos da autoridade monetária.
O último Livro Bege, publicado em 26 de novembro, apontou que a atividade econômica nos EUA permaneceu praticamente estável, mas com sinais mais evidentes de enfraquecimento no mercado de trabalho.
Segundo o documento, o emprego "diminuiu ligeiramente", com cerca de metade dos distritos registrando menor demanda por mão de obra, além de aumento nos anúncios de demissões, ainda que muitas empresas tenham optado por congelar contratações em vez de realizar cortes mais profundos.
As falas de dirigentes do Fed também ganham peso adicional nesta quarta. Estão previstos discursos de Anna Paulson, presidente do Fed da Filadélfia, às 11h50; de Stephen Miran, diretor do Fed, ao meio-dia; e de John Williams, presidente do Fed de Nova York, às 16h10.
As declarações ocorrem em meio a um ambiente de maior tensão institucional, após novas críticas públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e a abertura da investigação do Departamento de Justiça (DoJ) sobre o orçamento nas obras da sede do banco central em Washington.
Powell confirmou que foi intimado pelo DoJ, classificando o episódio como “sem precedentes” e alertando para ameaças à independência da autoridade monetária. Na véspera, líderes das principais autoridades monetárias globais, incluindo o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, divulgaram um manifesto internacional em apoio a Powell.
No campo corporativo, a temporada de balanços segue como outro fator de atenção.
Nos Estados Unidos, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo & Co. divulgam seus resultados do quarto trimestre de 2025, dando continuidade à série de balanços de grandes instituições financeiras iniciada pelo JP Morgan, que reportou lucro líquido de US$ 13,03 bilhões no período, 7% menor que o registrado um ano antes. No Brasil, a Camil também divulga seus resultados financeiros.
A agenda do mercado também inclui indicadores da Ásia. Os investidores acompanham a balança comercial da China, divulgada à meia-noite, e a decisão de política monetária do Banco Central da Coreia do Sul, às 22h.