JPMorgan: excluindo efeitos não recorrentes, resultado veio acima do previsto (Kena Betancur/VIEWpress/AFP)
Repórter de Mercados
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 09h48.
O JPMorgan registrou lucro de US$ 13 bilhões no quarto trimestre de 2025, queda de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado nesta terça-feira, 13. O resultado equivale a US$ 4,63 por ação, abaixo da estimativa de US$ 4,85 por ação, segundo a FactSet.
Apesar da queda no lucro, a receita cresceu 7% no trimestre, alcançando US$ 45,8 bilhões, impulsionada pelo aumento das receitas com juros e tarifas bancárias. O número, no entanto, também ficou levemente abaixo das projeções, que apontavam para US$ 46,2 bilhões.
Já o lucro ajustado, que desconsidera efeitos não recorrentes, foi de US$ 5,23 por ação, contra a estimativa consensual de US$ 5 da LSEG. A receita ficou em US$ 46,77 bilhões, contra US$ 46,201 bilhões esperados.
No acumulado do ano de 2025, o banco teve lucro de US$ 57 bilhões, ante US$ 58,5 bilhões em 2024 — que ainda é o maior já registrado por um banco americano, segundo informações do The Wall Street Journal. A receita anual subiu de US$ 177,6 bilhões para US$ 182,4 bilhões.
“A economia dos EUA tem se mantido resiliente. Embora o mercado de trabalho tenha apresentado sinais de desaceleração, as condições não parecem estar piorando”, disse Jamie Dimon, CEO do banco, em um comunicado à imprensa.
Ele voltou a citar riscos potenciais que podem afetar o cenário, mas atribuiu o bom desempenho recente à política de flexibilização de juros do Federal Reserve e à desregulamentação promovida por Washington.
Nos últimos trimestres, os grandes bancos têm operado em um cenário favorável. A recuperação das negociações em Wall Street, a retomada do setor de bancos de investimento, a queda das taxas de juros, a estabilidade no crédito ao consumidor e movimentos de desregulamentação têm impulsionado os resultados.
O índice bancário KBW subiu 29% em 2025, marcando o segundo ano consecutivo em que superou os ganhos do S&P 500.
Resta saber se o impulso de 2025 continuará ao longo deste ano, com um possível enfraquecimento do mercado de trabalho, além das perspectivas para o ritmo de fusões e aquisições em Wall Street.
Jamie Dimon deve ser questionado sobre a proposta de Donald Trump para limitar as taxas de juros de cartões de crédito a 10%, além de pressões políticas relacionadas à independência do Federal Reserve. A proposta, divulgada por Trump em sua conta no Truth Social, teria validade inicial de um ano e entraria em vigor a partir do próximo dia 20 de janeiro. A proposta ainda depende do Congresso, mas já gera reações imediatas nos mercados.
Bank of America, Citigroup e Wells Fargo divulgam seus balanços nesta quarta-feira, 14. Goldman Sachs e Morgan Stanley seguem na quinta-feira, 16.