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Ibovespa fecha primeiro pregão do ano em baixa; frigoríficos lideraram perdas

Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) estiveram entre as maiores quedas da bolsa nesta sexta-feira, 2

Ibovespa: O principal índice da bolsa brasileira fechou em queda de 0,36%, aos 160.538 pontos. (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa: O principal índice da bolsa brasileira fechou em queda de 0,36%, aos 160.538 pontos. (Germano Lüders/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 18h32.

Após abrir em alta, o Ibovespa virou para queda no primeiro pregão do ano, sexta-feira, 2. O principal índice da bolsa brasileira fechou em queda de 0,36%, aos 160.538 pontos. Já o dólar comercial fechou o primeiro pregão de 2026 cotado a R$ 5,42, após queda de 1,16%.

Os papéis de Minerva(BEEF3) e MBRF (MBRF3), que fecharam em queda de 6,7% e 1,7%, respectivamente, estiveram entre as maiores baixas da bolsa.

O movimento entre os frigoríficos ocorre após a China anunciar, na quarta-feira, 31, a adoção de uma salvaguarda comercial que impõe uma cota global de 2,7 milhões de toneladas por ano — volume inferior às 3 milhões estimadas para 2025. O Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas sem tarifa. O excedente pagará uma sobretaxa de 55%.

“O desafio não é redirecionar os volumes, mas encontrar mercados dispostos a pagar o que a China paga por cortes específicos do Brasil”, afirmaram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) em relatório divulgado ao mercado nesta sexta.

Segundo o relatório, a decisão do governo chinês está associada a uma estratégia de fortalecimento da cadeia interna de produção, que sofre pressão diante do crescimento acelerado do consumo local. “O setor brasileiro já mostrou resiliência antes. Em 2025, os EUA impuseram tarifas e os exportadores conseguiram realocar volumes com sucesso. Mas o caso da China é mais sensível, pois ela representa o principal motor de crescimento do setor”, disseram os analistas.

A lista de maiores baixas trouxe ainda as construtoras Cyrela (CYRE3), com queda de 3,77%, e Direcional DIRR3, com queda de 3,47%. As ações de Petrobras (PETR3 e PETR4) caíram 0,83% e 0,36%, respectivamente, também pressionando o índice, acompanhando o recuo do petróleo.

O petróleo fechou em baixa nesta sexta, enquanto investidores avaliam um possível excesso na oferta da commodity às vésperas da reunião mensal dos integrantes da Opep+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados), que acontece no domingo, 4. O Brent para março, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), caiu 0,16% (US$ 0,10), a US$ 60,75 o barril, enquanto o petróleo WTI para fevereiro, negociado na Nymex, fechou em queda de 0,17% (US$ 0,10), a US$ 57,32 o barril.

Pela manhã, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial no Brasil encerrou 2025 com a retração mais acentuada em três meses em dezembro, com redução da produção e das encomendas diante da fraqueza da demanda. O índice, compilado pela S&P Global, caiu a 47,6 pontos em dezembro, de 48,8 pontos em novembro, indo mais abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.

Às 14h30, o Banco Central divulgou o fluxo cambial total do Brasil, que ficou negativo em US$ 5,047 bilhões na semana passada. O fluxo total em dezembro, até o dia 26, está negativo em US$ 8,410 bilhões no ano, fluxo segue negativo em US$ 28,164 bilhões. O BC teve perda de R$ 14,616 bilhões com swap cambial até o dia 26.

Bolsas ao redor do mundo

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou com alta de 0,66%; o S&P 500 ganhou 0,19% e o Nasdaq 100 recuou 0,03%.

As ações da Tesla registraram queda superior a 4%, após a companhia comunicar que as entregas do quarto trimestre caíram 16%, para 418.227 veículos, abaixo das estimativas de analista.

Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. O índice Stoxx 600 subiu 0,62%. O FTSE 100, do Reino Unido, fechou com alta de 0,24%. O Dax, da Alemanha, teve alta de 0,14%, e o CAC 40, da França, avançou 0,49%.

As bolsas asiáticas também fecharam em forte alta, mesmo com a ausência dos mercados da China continental e do Japão, que permaneceram fechados por conta do feriado de ano novo.

O principal destaque foi a Coreia do Sul. O índice Kospi avançou 2,27% e renovou sua máxima histórica, impulsionado por empresas ligadas à cadeia de semicondutores e tecnologia, fechando no patamar inédito dos 4.309,63 pontos.

Em Hong Kong, o Hang Seng subiu expressivos 2,76%, com ganhos relevantes de gigantes de tecnologia como Alibaba e Baidu, que lideraram o movimento de alta. Na Oceania, a bolsa australiana seguiu a Ásia e também encerrou com alta. O S&P/ASX 200 em Sydney, na Austrália, avançou 0,15% o, aos 8.727,80 pontos.

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