Nvidia e OpenAI: acordo anunciado como o maior projeto computacional da história segue sem definição final (Freepik IA )
Repórter
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 11h31.
A Nvidia está reavaliando o plano de investir até US$ 100 bilhões na OpenAI para financiar o treinamento e a operação de seus modelos mais avançados de inteligência artificial.
O acordo, anunciado em setembro do ano passado, não avançou além das etapas iniciais após questionamentos internos dentro da fabricante de chips, segundo o Wall Street Journal.
O entendimento foi apresentado na sede da Nvidia, em Santa Clara, na Califórnia, e previa um memorando de intenções para a construção de ao menos 10 gigawatts de capacidade computacional dedicada à OpenAI. Pelo acordo, a Nvidia também se comprometeria a investir até US$ 100 bilhões para ajudar a financiar a infraestrutura, enquanto a dona do ChatGPT alugaria os chips produzidos pela empresa.
À época, a OpenAI esperava concluir as negociações em poucas semanas. No entanto, as conversas não evoluíram além da fase preliminar, segundo fontes envolvidas no processo.
Diante do impasse, as duas companhias passaram a repensar o futuro da parceria. As discussões mais recentes incluem a possibilidade de um investimento acionário de dezenas de bilhões de dólares dentro da atual rodada de financiamento da OpenAI.
Nos bastidores, o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, tem enfatizado que o acordo anunciado não era vinculante e nunca foi formalizado. Segundo o WSJ, ele também teria manifestado preocupações sobre a disciplina de negócios da OpenAI e sobre a concorrência crescente no setor, especialmente de empresas como Google e Anthropic.
Em nota, um porta-voz da OpenAI afirmou que as equipes seguem trabalhando nos detalhes da parceria e destacou que a tecnologia da Nvidia sustenta os avanços da empresa desde o início. Já a Nvidia declarou que mantém uma relação de parceria com a OpenAI há uma década e que pretende continuar colaborando com a companhia.
A OpenAI vem estruturando sua estratégia para uma possível abertura de capital até o fim de 2026 e, ao longo do último ano, acelerou a busca por grande capacidade computacional para sustentar o crescimento de seus produtos.
Segundo a reportagem, o entrave com a Nvidia representa um obstáculo nesse plano e evidencia os riscos de anúncios de acordos de grande porte antes da definição dos termos finais.
Quando o memorando foi divulgado, Huang classificou o projeto como “o maior empreendimento computacional da história”. Na ocasião, as ações da Nvidia subiram quase 4%, elevando o valor de mercado da companhia para cerca de US$ 4,5 trilhões.
O acordo também incluía discussões sobre garantias a empréstimos que a OpenAI pretendia contratar para construir seus próprios data centers. Desde então, a empresa firmou outros acordos com companhias de chips e computação em nuvem, impulsionando uma valorização generalizada no setor de tecnologia.
Com o tempo, porém, investidores passaram a demonstrar preocupação com a capacidade da OpenAI de honrar compromissos de longo prazo, estimados por Sam Altman em até US$ 1,4 trilhão em capacidade computacional.
Executivos da empresa afirmam que o valor real desses compromissos é menor, após ajustes por sobreposição entre contratos, e que os acordos serão executados ao longo de vários anos.
A pressão competitiva também aumentou. O avanço do aplicativo Gemini, do Google, desacelerou o crescimento do ChatGPT, enquanto a Anthropic ganhou espaço com seu agente de programação. Em novembro, a Nvidia informou que se comprometeu a investir até US$ 10 bilhões na Anthropic.
Em documentos regulatórios e apresentações públicas recentes, executivos da Nvidia reforçaram que não há garantia de que um acordo definitivo com a OpenAI será firmado.
Ainda assim, Huang indicou a interlocutores que considera estratégico manter algum nível de apoio financeiro à empresa, já que a OpenAI é uma das maiores clientes da Nvidia no mercado de chips voltados à inteligência artificial.