Ibovespa avança: às 10h29, o principal índice acionário da B3 avançava 0,61%, aos 188.608 pontos, dando continuidade ao otimismo observado na véspera (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 1 de abril de 2026 às 10h34.
O Ibovespa abriu as negociações nesta quarta-feira, 1º de abril, em alta, refletindo um ambiente externo mais favorável e a melhora no apetite por risco, em meio a sinais contraditórios, mas ainda assim relevantes, sobre uma possível desescalada da guerra no Irã.
Às 10h29, o principal índice acionário da B3 avançava 0,61%, aos 188.608 pontos, dando continuidade ao otimismo observado na véspera. O Ibovespa é impulsionado por pesos-pesados como Vale (VALE3) e grandes bancos, que avançam em bloco. O Ibovespa acompanha o desempenho positivo das bolsas no exterior, que avançaram na Ásia e sobem também na Europa e nos Estados Unidos.
Por outro lado, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuam quase 2%, acompanhando a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
Na terça-feira, 31, a referência subiu 2,71%, aos 187.461,84 pontos, acompanhando o bom humor das bolsas em Nova York. O avanço foi impulsionado pela percepção de redução de risco global, diante de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de encerrar a ofensiva militar contra o Irã nas próximas semanas.
Apesar disso, o cenário segue incerto. O conflito no Oriente Médio chegou ao 33º dia com novos ataques em diferentes frentes, incluindo bombardeios de Israel contra Teerã e retaliações iranianas com mísseis. A guerra também se espalha pela região, com ações de grupos aliados de Teerã, como os rebeldes huthis no Iêmen.
Ainda assim, o mercado tem reagido a sinais de trégua. O petróleo recuou, com o barril do Brent voltando para abaixo de US$ 100, após semanas de forte volatilidade causadas, principalmente, pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
No radar dos investidores também estão novas declarações de Trump, que afirmou que os Estados Unidos podem deixar o conflito em até duas ou três semanas e disse que o novo líder iraniano teria solicitado um cessar-fogo, informação que não pôde ser confirmada de forma independente.
O republicano também condicionou qualquer acordo à reabertura do Estreito de Ormuz e deve fazer um pronunciamento ainda hoje com atualizações sobre a guerra.
Apesar da melhora pontual no humor global, a incerteza segue elevada. De acordo com relatório do Bradesco, "o conflito no Oriente Médio continua sendo fonte importante de incerteza", com efeitos já visíveis sobre o cenário econômico.
O documento destaca que, mesmo em um ambiente de “elevada volatilidade global e baixíssima previsibilidade”, o real tem mostrado resiliência, permanecendo em patamares abaixo do esperado para o ano, o que ajuda a explicar a trajetória mais comportada do dólar no período recente.
Por outro lado, a instituição alerta que a alta acumulada dos preços de petróleo e derivados ainda pressiona a inflação. A projeção para o IPCA foi revisada de 3,8% para 4,3% em 2026, refletindo o impacto dos custos de energia. Setores ligados à extração de petróleo tendem a se beneficiar, enquanto atividades dependentes de logística, combustíveis e fertilizantes enfrentam compressão de margens no curto prazo.
Diante desse cenário, o banco manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,5% e avalia que o Banco Central tem adotado postura cautelosa, com um ciclo de corte de juros mais lento, que pode levar a taxa básica a 12,5% ao final do ano.
No mês de março, marcado pela volatilidade provocada pela guerra, o Ibovespa acumulou leve queda de 0,70%, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de alta. Ainda assim, no acumulado de 2026, o índice mantém valorização expressiva de 16,35%.