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Petróleo cai 3% após Trump prever fim da guerra no Irã em semanas

Brent recuou para US$ 100 e WTI para US$ 98 com declaração do presidente americano; analistas alertam que normalização do mercado pode demorar mesmo com cessar-fogo

Petróleo: apesar de Trump sinalizar saída da guerra no Irã, mercado de energia enfrenta riscos persistentes. (Getty Images/Montagem/Exame)

Petróleo: apesar de Trump sinalizar saída da guerra no Irã, mercado de energia enfrenta riscos persistentes. (Getty Images/Montagem/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 1 de abril de 2026 às 08h39.

O barril de petróleo Brent despencou mais de 3% nesta quarta-feira, 1º, após o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, declarar que o país pode encerrar sua participação no conflito com o Irã em duas a três semanas.

A declaração provocou volatilidade nos mercados globais, com preços do petróleo revertendo ganhos anteriores antes de estabilizarem em patamar ainda baixo, de acordo com fontes consultadas pela Bloomberg e pela Reuters.

O contrato futuro do Brent para junho recuou US$ 3,33, ou 3,2%, para US$ 100,64 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) para maio caiu US$ 3,34, equivalente a 3,3%, sendo negociado a US$ 98,04 por barril.

Fala de Trump move mercados

Trump afirmou na terça-feira, 31, que os EUA teriam cumprido em grande parte seus objetivos militares, sinalizando que caberia a outras nações reabrir o Estreito de Ormuz.

O analista-chefe de mercado da AT Global Markets em Sydney, Nick Twidale, ponderou que os mercados estão lendo a situação como um desfecho positivo, mas ele não está convencido da estabilidade no longo prazo.

"Acho que teremos mais volatilidade nos próximos dias, e os investidores logo vão querer evidências concretas de que o fim da guerra está próximo", disse Twidale à agência.

Incerteza sobre o Estreito de Ormuz

Um dos principais pontos de atenção é a situação do Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente 20% do comércio global de petróleo.

Trump indicou a possibilidade de encerrar o conflito sem necessariamente reabrir o corredor marítimo — posição que preocupa estados do Golfo Pérsico.

Analistas da LSEG avaliaram, conforme a Reuters, que "a combinação de progresso diplomático tangível limitado, ataques marítimos contínuos e ameaças explícitas contra ativos de energia mantém os riscos de fornecimento inclinados para o lado positivo."

Normalização da cadeia será gradual

Além disso, a analista sênior de mercado da Phillip Nova, Priyanka Sachdeva, explicou à Reuters que "o fluxo de petroleiros não vai retomar imediatamente... os custos de frete, seguros e movimentação de embarcações levarão tempo para voltar ao normal."

O dano à infraestrutura de petróleo só poderá, assim, ser dimensionado após o fim das hostilidades. A perspectiva de preços mais altos por mais tempo leva investidores a projetar impactos duradouros.

Trégua? Ataques permanecem no Golfo

Apesar do otimismo nos mercados, ataques com mísseis e drones seguiram acontecendo em países do Golfo e em Israel após a fala de Trump.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, até sinalizou disposição para encerrar o conflito, desde que certas condições sejam atendidas, segundo dados divulgados pela Bloomberg.

Teerã apresentou previamente uma lista de cinco exigências, que inclui garantias contra novos ataques, reparações de guerra e soberania sobre o Estreito de Ormuz.
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