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Dona do Mounjaro sobe 51% em um ano — até onde a ação pode chegar?

Banco eleva preço-alvo da Eli Lilly para US$ 1.400 e aposta que boom dos GLP-1 ainda tem fôlego

Eli Lilly: fabricante do Mounjaro recebeu recomendação de compra do Berenberg (	jetcityimage/Getty Images)

Eli Lilly: fabricante do Mounjaro recebeu recomendação de compra do Berenberg ( jetcityimage/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 19 de setembro de 2026 às 12h03.

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Nem mesmo uma valorização de 51,12% em 12 meses foi suficiente para esgotar o potencial das ações da Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, na avaliação do Berenberg Bank. O banco de investimento elevou a recomendação para os papéis da farmacêutica de "manter" para "compra" e aumentou o preço-alvo de US$ 1.220 para US$ 1.400.

O novo alvo representa um potencial de valorização de cerca de 21,4% em relação ao fechamento da sexta-feira, 18, quando a ação terminou cotada a US$ 1.152,93. Após a divulgação do relatório, no início da semana, os papéis (LLY) avançaram 2,02% no mercado americano.

A tese do Berenberg passa pelo mercado de medicamentos GLP-1, voltados ao emagrecimento, que transformaram a Lilly em uma das empresas mais valiosas do setor farmacêutico. Dona também do Zepbound, a companhia vem capturando a expansão acelerada da demanda por esse tipo de tratamento.

Para o banco, porém, o mercado ainda não incorporou completamente que o caixa gerado pelo negócio de obesidade está permitindo à Lilly investir em novos medicamentos e ampliar as fontes de crescimento para além do Mounjaro e do próprio Zepbound.

A analista do Berenberg, Kerry Holford, explicou que o banco continua confiante na tese e enxerga espaço para a companhia superar suas próprias projeções em 2026. Além disso, a instituição indica que os investimentos no portfólio financiados pelos tratamentos da obesidade seguem subestimados pelo mercado.

Próxima aposta está nos comprimidos

Um dos catalisadores apontados pelo Berenberg é o Foundayo, pílula oral para emagrecimento feita pela Lilly. A expectativa é que uma demanda relevante pelo medicamento possa ser destravada, mesmo após um começo comercial considerado lento pelo banco.

A mudança na forma de administração é importante porque pode ampliar o público dos GLP-1 para além dos pacientes dispostos a utilizar medicamentos injetáveis. O Foundayo conquistou mais de 30% dos novos pacientes americanos no segmento de tratamentos orais para obesidade desde seu lançamento, em abril.

A Lilly também vem tentando ampliar o acesso aos tratamentos já existentes, e o programa Medicare Bridge, que oferece medicamentos para perda de peso mediante copagamento mensal de US$ 50, alcançou cerca de 600 mil pacientes.

Dados da IQVIA apontam uma participação de, aproximadamente, 60,9% da Lilly no mercado de obesidade, contra 38,8% da Novo Nordisk, sua principal concorrente e fabricante do Ozempic.

Obesidade financia a próxima Lilly

O Berenberg vê a franquia de obesidade funcionando como uma espécie de motor financeiro para a construção do próximo ciclo de produtos da farmacêutica. Diversos ativos que passaram a integrar o portfólio têm potencial para gerar vendas de bilhões de dólares, na sua visão.

A Lilly comprometeu algo próximo dos US$ 60 bilhões em mais de 25 operações de desenvolvimento de negócios ao longo de 2026 e ainda possui capacidade financeira para realizar investimentos adicionais.

O que Wall Street espera das ações da Lilly

Um levantamento com 30 analistas de Wall Street mostra consenso de "compra moderada" para a Eli Lilly. Desse total, 25 recomendações estão entre "compra" e "compra forte", quatro são de "manter" e apenas uma é de "venda".

O preço-alvo médio é de US$ 1.304,86, equivalente a um potencial de alta de 14,57% sobre a cotação de US$ 1.138,96 usada no levantamento, mas as projeções vão de US$ 900 a US$ 1.600 por ação. O novo alvo de US$ 1.400 do Berenberg fica acima da média, mas não entre as estimativas mais agressivas.

O Citigroup, por exemplo, trabalha com US$ 1.600; Morgan Stanley, com US$ 1.419; Cantor Fitzgerald, com US$ 1.410; e JP Morgan, assim como agora o Berenberg, aponta para US$ 1.400.

O menor preço-alvo do levantamento, de US$ 900, foi dado pela Rothschild & Co Redburn e fica abaixo da cotação atual. Entre os riscos destacados estão a elevada avaliação (valuation) da empresa, a intensificação da concorrência no mercado de GLP-1 e os riscos regulatórios e de patentes.

*Com agências de notícias

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