Brasil: país tem favoritismo dos gestores na América Latina, conclui BBA
Editor de Invest
Publicado em 1 de abril de 2026 às 11h18.
O Brasil é o destino favorito dos grandes gestores internacionais para investimentos em ações na América Latina. Essa é uma das conclusões Itaú BBA após cinco semanas de encontros com o "o lado comprador", e que resultaram em um relatório divulgado esta semana pela casa.
A preferência dos fundos de investimento pelo país tem ao menos três explicações: um ciclo de afrouxamento monetário ainda em curso, valuations descontados frente à média histórica e aos pares globais, e empresas de grande capitalização com qualidade reconhecida internacionalmente.
O principal motor identificado é a trajetória dos juros. O Brasil vive um "ciclo tardio de afrouxamento monetário", diz o relatório, com taxas reais ainda elevadas. Se por um lado isso favorece um momento de carry trade — captação de recursos em países de juros baixos e alocação em territórios de juros altos — o espaço para novas quedas na Selic também gera oportunidades.
O relatório aponta que o Brasil é um dos poucos mercados onde os juros são maiores que o retorno implícito da bolsa. Essa diferença tende a diminuir a medida que os juros forem reduzidos, deixando as ações mais atraentes em relação aos títulos públicos. Gestores ouvidos pelo BBA avaliam que o mercado precifica menos cortes do que os fundamentos sugerem, o que amplia o potencial de valorização.
Enquanto o S&P 500 negocia a cerca de 20 vezes os lucros projetados, o Brasil está em apenas 9,2 vezes — um dos múltiplos mais baixos da região, que por sua vez já é uma das mais baratas do mundo. No acumulado do ano até março de 2026, a bolsa brasileira subia 18,6%, mas o desconto estrutural segue presente, indicando espaço para reprecificações adicionais, afirma o relatório.
Os gestores ouvidos pelo BBA foram enfáticos: a preferência é por large caps de qualidade, com geração de caixa robusta e gestão testada em múltiplos ciclos. Small caps foram explicitamente evitadas, dado o "fraco histórico" dessas empresas no mercado local.
Os setores mais citados como favoritos são utilities (serviços básicos) e concessões, imóveis — shoppings e incorporadoras — e bancos tradicionais. No lado oposto, a recomendação é de cautela com serviços financeiros de nicho e bens de consumo básico.
Investidores locais mantêm alocações em bolsa em mínimas de vários anos, afugentados pelos juros altos. Estrangeiros, apesar do fluxo de cerca de R$ 50 bilhões no ano até agora, também estão com posições abaixo da média na região.
O relatório observa que "pequenas oscilações na alocação global podem gerar fluxos significativos" — dinâmica observada desde o início do ano passado e sobretudo no início de 2026, quando ondas de entrada de capital impulsionaram os mercados.
O Itaú BBA mantém recomendação overweight para o Brasil (equivalente a compra), com preferência por utilities, shoppings, saneamento e cíclicos de qualidade no setor financeiro e imobiliário — visão alinhada ao consenso dos gestores ouvidos pela casa nos encontros.