Donald Trump: ataques continuam no 33º dia enquanto mercados reagem a possível fim do conflito (Kenny HOLSTON / POOL /AFP)
Repórter
Publicado em 1 de abril de 2026 às 06h38.
A guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel chegou ao 33º dia nesta quarta-feira, 1º, com novos ataques em múltiplas frentes, recuo nos preços do petróleo e sinais contraditórios sobre o fim do conflito.
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que pretende encerrar a ofensiva em poucas semanas, Teerã descarta negociações e mantém bombardeios contra países do Golfo.
Os ataques continuam a atingir áreas estratégicas. Israel lançou uma nova onda de bombardeios contra Teerã, com explosões registradas em diferentes regiões da capital iraniana, enquanto o Irã respondeu com mísseis que deixaram ao menos 14 feridos em território israelense.
Em paralelo, aliados de Teerã, como os rebeldes huthis no Iêmen, ampliaram a ofensiva contra Israel, o que indica a expansão regional do conflito.
Os mercados reagiram a sinais de possível trégua. O barril do petróleo Brent caiu para abaixo de US$ 100, pressionado por expectativas de que os Estados Unidos possam encerrar sua participação militar em breve.
O movimento ocorre após semanas de forte volatilidade, impulsionada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Apesar da queda, analistas ainda veem risco elevado. A continuidade dos ataques a infraestruturas energéticas e a possibilidade de novas escaladas militares mantêm a incerteza sobre o abastecimento global e os preços da energia.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que não há base para negociações com Washington e rejeitou propostas divulgadas pela imprensa.
Segundo ele, o país não respondeu a qualquer plano americano para encerrar a guerra.
Por outro lado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, indicou que o Irã estaria disposto a encerrar o conflito caso receba garantias de que não sofrerá novos ataques, sinalizando uma possível abertura condicionada à segurança do regime.
A guerra segue se expandindo pelo Oriente Médio. Países do Golfo, como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, voltaram a registrar ataques com drones e mísseis atribuídos ao Irã ou a grupos aliados.
Um petroleiro foi atingido próximo ao Catar, enquanto instalações energéticas foram alvo de incêndios na região.
No Líbano, os confrontos entre Israel e o Hezbollah continuam. Bombardeios israelenses deixaram mortos no sul de Beirute, enquanto a missão de paz da Organização das Nações Unidas registrou novas baixas entre seus soldados.
Nos Estados Unidos, Trump deve fazer um pronunciamento sobre a guerra ainda nesta quarta-feira, em meio à pressão interna causada pelo impacto econômico do conflito, especialmente nos preços dos combustíveis.
O republicano voltou a afirmar que pretende retirar as tropas americanas do Irã em um prazo de duas a três semanas, indicando que os principais objetivos militares já teriam sido alcançados.
Ainda assim, reforços militares seguem sendo enviados à região, mantendo aberta a possibilidade de novas ações.
*Com EFE e AFP