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Gás natural sobe 20% com frio nos EUA e atinge maior nível desde 2022

Interrupção de produção e aumento da demanda pressionam fornecimento; exportações também são afetadas

NEVASCA NOS EUA: Onda de frio mata 20, deixa milhões sem luz e atrapalha vacinação (SCOTT OLSON/GETTY IMAGES/AFP)

NEVASCA NOS EUA: Onda de frio mata 20, deixa milhões sem luz e atrapalha vacinação (SCOTT OLSON/GETTY IMAGES/AFP)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 13h46.

O gás natural voltou a disparar nos Estados Unidos com o avanço da onda de frio sobre o país. Após ter saltado 70% na semana passada — o maior aumento semanal desde 1990 — os contratos futuros de fevereiro subiram mais 20% nesta segunda-feira, 22, superando US$ 6 por milhão de BTU (unidade térmica britânica) pela primeira vez desde 2022.

A combinação de demanda elevada para aquecimento e cortes na produção formou um novo choque de oferta no mercado, segundo especialistas ouvidos pela Bloomberg. Estima-se que cerca de 10% da produção nacional de gás tenha sido interrompida pela tempestade polar que afetou polos estratégicos de produção e exportação, como Texas e Louisiana.

O frio extremo também sobrecarregou redes elétricas regionais, dificultou o transporte e levou ao cancelamento de milhares de voos em todo o país.

Impacto se espalha do Texas às exportações

O clima adverso causou queda no fornecimento de gás para as usinas de liquefação, que convertem o gás para exportação como GNL (gás natural liquefeito). O volume destinado a terminais de exportação atingiu o menor nível em um ano, ainda de acordo com a Bloomberg. O contrato futuro de março, mais líquido, também subiu — 11% na sessão — alcançando US$ 3,997 por milhão de BTU.

Para as empresas de energia, o risco é duplo: além da alta no custo do insumo, a instabilidade nos dutos afeta a operação das termelétricas. A maior operadora de rede elétrica dos EUA já alertou usinas sobre a necessidade de garantir fornecimento de gás diante da previsão de recorde histórico de consumo de eletricidade no inverno.

Contratos com baixa liquidez ampliam volatilidade

A proximidade do vencimento dos contratos de fevereiro contribuiu para a volatilidade. Com liquidez reduzida — menos de 25 mil posições abertas na segunda-feira, ante 340 mil nos contratos de março — os preços responderam mais rapidamente às mudanças no cenário climático.

Em nota à Bloomberg, a consultoria Timera Energy avaliou que a volatilidade do gás natural nos EUA deve ganhar peso crescente no mercado global de GNL nos próximos cinco anos. O episódio atual mostra como choques internos podem rapidamente repercutir nos fluxos e preços internacionais.

A cotação atual só havia sido superada em dezembro de 2022, quando a Europa buscava gás americano para substituir o fornecimento russo interrompido pela guerra na Ucrânia. O movimento recente reacende preocupações com segurança energética e estabilidade de preços em meio à transição para matrizes mais limpas.

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