A declaração conjunta, divulgada nesta terça-feira, 13, destaca "a defesa da autonomia técnica dos bancos centrais como um dos pilares da estabilidade econômica global" (Chip Somodevilla/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 10h35.
Última atualização em 13 de janeiro de 2026 às 10h35.
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, aderiu a um manifesto internacional assinado por líderes das principais autoridades monetárias do mundo em apoio ao presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos), Jerome Powell.
A declaração conjunta, divulgada nesta terça-feira, 13, destaca "a defesa da autonomia técnica dos bancos centrais como um dos pilares da estabilidade econômica global", em meio a crescentes pressões políticas sobre a condução da política monetária norte-americana.
No documento, os presidentes de bancos centrais afirmam que a independência institucional é essencial para garantir a estabilidade de preços e o bem-estar da população, sempre dentro do Estado de Direito e com transparência democrática.
O texto destaca ainda a atuação de Powell à frente do Fed, ressaltando sua integridade e compromisso com o interesse público. "O presidente Powell tem atuado com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado, tido na mais alta estima por todos que com ele trabalharam", diz um dos trechos do manifesto.
Além de Galípolo, o documento é assinado pelos presidentes do Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS). Também figuram entre os signatários representantes das autoridades monetárias da Suécia, Dinamarca, Suíça, Noruega, Austrália, Canadá e Coreia do Sul.
O manifesto surge em um momento de forte tensão institucional nos Estados Unidos. Uma investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça (DoJ) colocou Powell no centro do debate político e reacendeu o embate entre o Fed e o presidente Donald Trump.
A apuração envolve reformas bilionárias em prédios do banco central em Washington e ocorre em meio a uma escalada de críticas e pressões do governo americano por cortes mais agressivos nos juros.
Powell confirmou que foi intimado pelo DoJ, em um gesto classificado por ele como “sem precedentes”. Segundo o presidente do Fed, a investigação precisa ser vista em um contexto mais amplo de ameaças à independência da autoridade monetária.
"Ninguém, nem mesmo o presidente do Federal Reserve, está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista em um contexto maior, de ameaças da administração e pressões", afirmou.
O foco da investigação são projetos de renovação de dois edifícios do Fed — o Marriner S. Eccles e outro localizado na Constitution Avenue — iniciados em 2022 e com conclusão prevista para 2027. O orçamento das obras ultrapassou o valor inicialmente previsto, chegando a US$ 2,5 bilhões, após um aumento superior a US$ 700 milhões.
Trump alega que o custo total alcança US$ 3,1 bilhões, cifra negada por Powell. O Fed atribui o estouro do orçamento à alta nos custos de materiais e mão de obra, além da descoberta de amianto e contaminação tóxica no solo acima do esperado.
Além do apoio internacional dos presidentes de bancos centrais, Powell também recebeu respaldo de ex-presidentes do Fed. Em uma declaração conjunta, Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen criticaram a investigação criminal, classificando-a como uma tentativa de “minar” a independência do banco central americano.
Para o grupo, trata-se de um movimento sem precedentes para usar instrumentos processuais como forma de pressão política sobre a política monetária.