Invest

Ibovespa fecha em leve queda após bater novo recorde e superar 192 mil pontos

Na reta final, a principal referência acionária da B3 chegou a se afastou das mínimas, operando próximo da estabilidade, mas não sustentou o movimento

Ibovespa recua após recorde: índice foi pressionando pela queda de parte das ações do setor bancário; por outro lado, Vale limitou maiores perdas (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa recua após recorde: índice foi pressionando pela queda de parte das ações do setor bancário; por outro lado, Vale limitou maiores perdas (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 18h24.

O Ibovespa perdeu força ao longo do pregão desta quarta-feira, 25, após renovar máximas históricas na abertura, e encerrou em ligeira queda de 0,13%, aos 191.247 pontos. O índice chegou a superar pela primeira vez os 192 mil pontos e tocar 192.234,55 pontos no intradiário, mas virou para o vermelho ainda no início da tarde, pressionado principalmente por Petrobras e ações do setor bancário.

Na reta final, a principal referência acionária da B3 chegou a se afastou das mínimas e a ensaiar uma recuperação, operando próximo da estabilidade, mas não conseguiu sustentar o movimento e fechou no vermelho— um dia depois de ter registrado o 13º recorde de encerramento do ano.

Mais cedo, Petrobras figurava entre as principais pressões negativas, acompanhando a volatilidade do petróleo e um movimento de realização de lucros. Ao fim do dia, no entanto, os papéis terminaram praticamente estáveis, com leve alta.

No exterior, os contratos futuros do petróleo fecharam sem direção única. O Brent para abril subiu 0,11%, a US$ 70,85 por barril, enquanto o WTI caiu 0,32%, a US$ 65,42, em meio à expectativa por negociações entre Irã e Estados Unidos e após dados de estoques nos EUA acima do esperado.

Entre os bancos, o desempenho foi misto. As preferenciais do Itaú (ITUB4), que têm quase 9% de participação no índice, recuaram mais de 1%, assim como as preferenciais do Bradesco (BBDC4). A maior queda do setor ficou com as units do Santander (SANB11), que caíram quase 4%.

Por outro lado, as ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) e as units do BTG (BPAC11) avançaram mais de 1%.

A Vale (VALE3), com pouco mais de 11% de peso na carteira do índice, ajudou a limitar perdas mais intensas ao subir quase 3%, figurando entre as cinco maiores altas do dia.

Cenário político e fluxo externo no radar

Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o movimento refletiu uma combinação de recorde histórico e realização de lucros. "Foi a primeira vez que o Ibovespa superou os 192 mil pontos na história. Mas a gente viu realizações de algumas posições", afirmou.

Segundo ele, o índice chegou a subir no início do dia influenciado por fatores políticos e fluxo externo. "Principalmente por conta da nova pesquisa eleitoral, o mercado acaba vendo com mais bons olhos um candidato mais à direita, mais pró-mercado, mais pró-privatizações, que é o caso do Flávio Bolsonaro. Então acaba impactando, ainda que muito pouco, hoje aqui o Ibovespa", disse.

Os investidores repercutiram a pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta terça, que, pela primeira vez, apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda que por uma diferença de apenas 0,1 ponto percentual — dentro da margem de erro.

No cenário estimulado, Flávio Bolsonaro registra 46,3% das intenções de voto, contra 46,2% de Lula. A diferente entre os dois já foi de 12 pontos percentuais. 

Lopes pondera que não houve fato corporativo específico que justificasse as quedas do dia. "Hoje não tem nenhum fato relevante para essas empresas em específico, é mais uma acomodação de mercado mesmo, que a gente está vendo os investidores realizando os lucros após essa alta recente. Sempre que acaba batendo o topo histórico, alguns dias depois os investidores acabam vendendo, é mais uma acomodação", afirmou.

Segundo ele, o mercado também permanece atento aos resultados das empresas de tecnologia nos Estados Unidos, em especial da Nvidia, que divulga balanço após o fechamento do mercado.

Já João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, avalia que o comportamento das commodities e o cenário global ajudaram a explicar o movimento. “Os preços do petróleo operando em queda no dia tendem a pressionar ações ligadas à commodity, o que pode explicar a realização em Petrobras após a companhia ter atingido nova máxima histórica descontada por proventos no pregão anterior”, afirma.

"Quando um papel acumula forte valorização e o principal driver de resultado — no caso, o preço do petróleo — mostra recuo no curto prazo, é comum que investidores optem por embolsar parte dos ganhos, gerando um movimento técnico de correção", acrescentou.

Sobre os bancos, Abdouni aponta cautela global. "O movimento de realização pode estar ligado a um ambiente de maior cautela global. O avanço das novas implementações de inteligência artificial traz incertezas sobre modelos de negócios, competição, necessidade de investimentos em tecnologia e possíveis mudanças regulatórias. Esse cenário aumenta a percepção de risco e pode levar gestores a reduzir exposição a setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como o financeiro", diz o analista.

Acompanhe tudo sobre:Ibovespabolsas-de-valoresMercadosAções

Mais de Invest

ByteDance suspende a IA de vídeo Seedance após briga com Hollywood, diz revista

Meta quer demitir 20% dos funcionários para investir em IA, diz agência

Raízen renegocia R$ 65 bilhões. O que muda para as ações da empresa?

iFood bate novo recorde diário com mais de 22 milhões de pedidos em um fim de semana