Repórter
Publicado em 2 de dezembro de 2025 às 15h21.
O fluxo para ações de mercados emergentes voltou a ganhar força no início de novembro, impulsionado sobretudo pelos ETFs (Exchange Traded Funds, na sigla em inglês), os fundos de índice, de acordo com o JP Morgan.
Segundo relatório do banco, as entradas acumuladas no ano chegaram a US$ 8 bilhões, o equivalente a R$ 42,7 bilhões (na cotação atual), revertendo a forte saída registrada no primeiro semestre, a pior desde 2014.
A instituição ressalta, porém, que o número esconde uma assimetria. Enquanto os ETFs já receberam US$ 60 bilhões em 2025, ou R$ 320,4 bilhões, os fundos tradicionais seguem no negativo, com saídas de US$ 52 bilhões (R$ 277, 7 bilhões).
Essa diferença mostra que os ETFs explicam grande parte dos fluxos para emergentes porque reflete uma preferência atual dos investidores por “jogar beta”, ou seja, ganhar exposição ampla ao mercado a um custo menor.
O desempenho recente dos mercados reforça essa tendência. O índice referencial Emerging Market MSCI, que replica o sobe e desce de uma cesta de ações de bolsas de países emergentes, subiu 28,6% no ano até o dia 7 de novembro. O dado supera, segundo o banco, o avanço de mercados desenvolvidos, especialmente o dos Estados Unidos, que acumulam alta de 17,5%/15,7% em 2025 até a data de publicação do relatório.
Mesmo assim, essa é a única grande valorização dos emergentes, desde outubro de 2023, o MSCI EM subiu 55%. Nas outras quatro fases de forte alta do índice, as entradas nesses fundos variaram de US$ 13 bilhões a US$ 95 bilhões.
Apesar disso, o JP Morgan avalia que, com o ambiente global e com os lucros melhorando, os gestores ativos também vão voltar a investir, trazendo fluxos adicionais.
“Embora essa dissociação seja em parte explicada por uma mudança preferencial para jogar beta a um custo menor nos mercados emergentes por meio de ETFs, acreditamos que entradas ativas estão por vir, impulsionadas pela recuperação dos lucros, expansão da liquidez global e fatores idiossincráticos”, diz o banco no relatório.
Essa perspectiva se baseia, em parte, no nível historicamente baixo de alocação dos investidores globais em ações de emergentes. Hoje, apenas 5,3% dos ativos de renda variável estão nesses mercados, abaixo da média dos últimos dez anos, de 6,7%, e distante do peso que os emergentes têm no índice global MSCI ACWI, com 10,8%.
Segundo o JP Morgan, uma normalização desse percentual poderia liberar até US$ 340 bilhões em aportes. O documento aponta que repetir o padrão de altas anteriores implicaria US$ 195 bilhões extras, enquanto um retorno ao ritmo médio de captação observado em ciclos favoráveis poderia acrescentar cerca de US$ 70 bilhões ao ano.
“Embora essa convergência com o histórico provavelmente seja um processo que levará vários anos, esperamos que os gestores de fundos ativos de mercados emergentes recebam entradas já no primeiro semestre de 2026, após um período prolongado de desempenho superior”, afirma o banco.
O relatório observa que apesar da hesitação dos investidores estrangeiros nos últimos anos, os mercados emergentes têm encontrado apoio crescente nos fluxos domésticos. Em países como Índia, Coreia, Taiwan, Tailândia, Malásia e México, investidores locais compraram mais ações do que estrangeiros.
Na América Latina, o ambiente também é visto como mais favorável, com empresas que exibem padrões de governança mais próximos aos dos EUA, em parte devido à presença de ADRs, — os certificados negociados em bolsas dos EUA que representam ações de empresas estrangeiras.
"A melhoria da governança e das estruturas econômicas nos mercados emergentes está levando a uma melhor saúde fiscal e menores encargos da dívida, apoiando a reavaliação do preço/lucro e criando uma perspectiva favorável para retornos futuros", cita o JP Morgan em outro trecho.
Fatores estruturais também ajudam a explicar esse movimento, entre eles, o crescimento econômico mais forte do que o dos mercados desenvolvidos, melhora da governança corporativa, expansão da liquidez global e um dólar mais estável ou fraco, condições que historicamente favorecem os emergentes.
A recuperação da China, que voltou a atrair recursos especialmente por meio de ETFs, é outro elemento que tende a estimular o retorno dos investidores ativos.
Com a combinação desses elementos, o JP Morgan avalia que os ETFs devem continuar liderando os fluxos no curto prazo, mas vê chances crescentes de que os fundos ativos retomem captação a partir de 2026, encerrando um longo período de subalocação global em mercados emergentes.