Balanço dos bancões: temporada de resultados dos principais bancos do país foi concluída nesta quarta-feira, 11 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 06h00.
A temporada de resultados dos principais bancos do país foi concluída nesta quarta-feira, 11, com a divulgação do balanço do Banco do Brasil. Juntos, BB (BBAS3), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) encerraram 2025 com lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões.
O valor representa queda de 4,4% em relação a 2024.
O recuo foi provocado pelo desempenho do Banco do Brasil, cujo lucro líquido ajustado caiu 45,4% no ano passado, para R$ 20,7 bilhões, ainda sob forte impacto da inadimplência no agronegócio. Os bancos privados, por sua vez, registraram crescimento.
Considerando apenas os quatro maiores bancos privados — Itaú, Bradesco, Santander Brasil e BTG Pactual — o lucro líquido consolidado alcançou R$ 101,5 bilhões em 2025, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
O montante é o maior já registrado na série histórica de 2011 a 2025, tanto em termos nominais quanto ajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a taxa de inflação oficial do país.
Em valores nominais, o lucro conjunto dessas quatro instituições passou de R$ 84,6 bilhões em 2024 para R$ 101,5 bilhões em 2025.
O estudo destaca que a inclusão do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) altera a posição de 2025 no ranking histórico. No levantamento anterior, que considerava apenas os três grandes bancos de varejo e uma série mais longa, o resultado do ano passado aparecia como o segundo maior lucro real da história.
Com o BTG no cálculo, o ano passado passa a ocupar a primeira posição, superando o pico real de 2019, quando o lucro somava R$ 93,5 bilhões em valores ajustados pelo IPCA.
Quando o recorte considera apenas Itaú, Bradesco e Santander Brasil, o lucro líquido consolidado foi de R$ 86,55 bilhões em 2025. Trata-se do maior valor nominal desde o início da série, em 2006, acima do recorde anterior de R$ 72,7 bilhões registrado em 2024.
Em 2023, esses três bancos haviam lucrado R$ 57,4 bilhões. Em dois anos, o avanço acumulado foi de 50,6%, consolidando um ciclo de crescimento após um período de compressão relevante da rentabilidade.
Segundo a análise da Elos Ayta, as duas leituras — com três ou quatro bancos privados — indicam que o setor segue sensível ao ciclo econômico e à política monetária, mas apresenta mudança de perfil com a diversificação de modelos de negócio no sistema financeiro privado.
O Santander Brasil, que abriu a temporada dos balanços dos bancões, encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 4,08 bilhões, alta de 6% na comparação anual e de 1,9% frente ao trimestre anterior, em linha com a média das projeções do mercado.
O resultado desconsidera efeitos pontuais e marca o melhor desempenho trimestral do banco em quatro anos, de acordo com a instituição.
A rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), ficou em 17,6% no período. O indicador permaneceu praticamente estável em relação a um ano antes e avançou levemente na comparação trimestral, mantendo-se acima da taxa básica de juros.
A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 708,2 bilhões ao fim de dezembro, com crescimento de 3,7% em 12 meses e de 2,8% em relação ao terceiro trimestre. A expansão foi puxada principalmente pelo financiamento ao consumo e pelo crédito a pequenas e médias empresas.
O Itaú Unibanco (ITUB4) registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 12,31 bilhões no quarto trimestre de 2025. A cifra, que exclui efeitos pontuais do período, foi 13,2% maior que o registrado um ano antes. O número veio um pouco acima esperado pelo mercado: a média das projeções dos analistas apontava para lucro de R$ 12,2 bilhões.
O retorno sobre patrimônio (ROE) do banco foi de 24,4% no período, um avanço de 1,1 ponto percentual na comparação trimestral e de 2,3 pontos percentuais na anual.
A carteira de crédito consolidada do banco alcançou R$ 1,49 bilhões no trimestre, com crescimento anual de 6% e de 6,3% na comparação com o terceiro trimestre.
A margem financeira com clientes, valor levantado com juros das operações, cresceu 8,6%, para R$ 30,9 bilhões. A operação de serviços e seguros somou R$ 15,6 bilhões, com alta de 9% na comparação trimestral. O índice de inadimplência de empréstimos com mais de 90 dias de atraso ficou praticamente estável, em 1,9%.
O Bradesco (BBDC4) apresentou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2025. A cifra veio levemente acima do consenso, que projetava a linha final do balanço em R$ 6,4 bilhões. O resultado é 20,6% maior que o registrado um ano antes.
A receita total do trimestre foi de R$ 36,1 bilhões, com crescimento anual de 9,8%. O número engloba a margem financeira total, que somou R$ 19,24 bilhões no período, com alta anual de 13,2%. A margem com clientes cresceu 18,4%, para R$ 19,12 bilhões. A margem com mercado encolheu 85%, para R$ 126 milhões.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) do banco veio em 15,2%, com crescimento de 0,5 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre e de 2,5 pontos percentuais ano a ano.
A carteira de crédito expandida do Bradesco cresceu 5,3% em relação ao terceiro trimestre, e o avanço foi de 11% em bases anuais, para R$ 1,089 bilhão. O custo de crédito do banco foi de R$ 8,8 bilhões, com alta anual de 18,3%.
O BTG Pactual reportou lucro líquido de R$ 4,6 bilhões no quarto trimestre do ano passado. A cifra é 40% maior do que a registrada no mesmo período, em 2024. No acumulado de 2025, o lucro do banco chegou a R$ 16,7 bilhões, com crescimento de 35%.
As linhas finais do balanço foram impulsionadas por receitas recordes no ano em praticamente todas as linhas de negócio. As receitas totais cresceram 32% em 2025 na comparação com o ano anterior, para R$ 33 bilhões. No quarto trimestre, a cifra foi de R$ 9,09 bilhões.
Em sales & trading, de negociação de ativos no mercado secundário, a receita totalizou R$ 7,2 bilhões em 2025. O BTG atribuiu a performance à "forte contribuição" das atividades com clientes, como os investidores institucionais (fundos e gestoras). No quarto trimestre, a receita do segmento foi de R$ 2 bilhões.
A receita de crédito corporativo, somando grandes empresas (Corporate Lending) e pequenas e médias (Business Banking), foi de R$ 8,4 bilhões no ano e de R$ 2,2 bilhões no trimestre. O portfólio terminou o ano em R$ 262,3 bilhões, com alta de 18,3% em relação a 2024, sendo R$ 32,2 bilhões em PMEs.
O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre de 2025. A cifra é 40,1% menor que a registrada um ano antes, mas ficou bem acima do esperado pelo mercado: o consenso das projeções apontava para lucro de R$ 4 bilhões.
O retorno sobre patrimônio líquido (RSPL) no período foi de 12,4%. Um ano antes, o indicador de rentabilidade estava em 20,8%.
A margem financeira bruta do banco, receita com juros dos empréstimos, ficou em R$ 27,8 bilhões, com crescimento anual de 3,8%. A líquida, porém, sofreu um recuo de 43,8% na mesma base de comparação, para R$ 9,842 bilhões.
O baque foi efeito do aumento de 93,9% no custo de crédito do banco, para R$ 18 bilhões, e de 86,9% nas despesas com perdas esperadas (provisões), que atingiram R$ 19,036 bilhões no trimestre. A receita com prestação de serviços ficou em R$ 8,8 bilhões, com declínio de 3,9%.
As despesas administrativas somaram R$ 9,9 bilhões, com alta de 4,1%. A carteira de crédito do banco registrou crescimento de 2,5% ano a ano, somando R$ 1,286 bilhões.