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Estrangeiros estão olhando para o Brasil com interesse, independentemente da eleição, diz Azimut

Segundo Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management, o Brasil fez o dever de casa e é atrativo para investidores internacionais

Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management (Azimut/Exame)

Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management (Azimut/Exame)

Carlo Cauti
Carlo Cauti

30 de outubro de 2022, 17h43

Neste domingo o Brasil vai decidir quem será o próximo presidente da República. Em muitos estão se perguntando qual será a política econômica do próximo mandatário, se continuará a gestão liberal do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, ou se o país vai ter uma virada mais social.

Os analistas também estão muito atentos ao rumo que a economia brasileira vai tomar para realizar previsões sobre a conjuntura macroeconômica. Entretanto, para Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management, "os investidores estrangeiros estão cada vez mais interessados ao Brasil, especialmente em investimentos em Bolsa de Valores. E isso independentemente do resultado das eleições".

A Azimut Brasil Wealth Management é uma gestora internacional com R$ 11 bilhões sob gestão e mais de 2,5 mil clientes.

Em entrevista à EXAME Invest, Barcellos explicou que o investidor estrangeiro consegue ter uma visão muito mais completa do cenário econômico brasileiro do que os próprios investidores locais, que muitas vezes acabam distraídos por questões menores.

"Usando uma metáfora, o investidor estrangeiro não está olhando para a árvore, está olhando para a floresta. E está gostando do que está vendo. Por isso está investindo cada vez mais no Brasil. Ao contrário, o investidor brasileiro, está olhando para a árvore, para coisas menores. E acaba perdendo oportunidades válidas de investimentos", salientou Barcellos.

O executivo lembrou que de janeiro até setembro entraram na B3 (B3SA3) cerca de R$ 87 bilhões em investimentos oriundos do exterior. Um valor equivalente ao saldo total do fluxo de investimentos estrangeiro na B3 entre 2016 e 2021. Sem contar os US$ 70,81 bilhões que entraram como investimento direto externo nos primeiros nove meses do ano. Um valor que superou as previsões do Banco Central (BC), que eram de US$ 70 bilhões.

Selic alta e dever de casa feito estão atraindo estrangeiros, diz Azimut

Segundo Barcellos, o fato que a taxa básica de juro (Selic) chegou em um patamar de 13,75% deixa o Brasil muito interessante, pois é um dos poucos países do mundo com taxa de juro real positiva, considerando a inflação elevada que está interessando todo o mundo.

"Começa a se tornar atraente deixar o dinheiro no Brasil. Além disso, o Brasil está se destacando economicamente em relação a outros países da América Latina. Fizemos o dever de casa. Por isso, para os estrangeiros ficar vendido no Brasil não parece ser uma estratégia muito inteligente", salienta o executivo.

No caso da política, Barcellos explica que o resultado das eleições não amedronta muito os estrangeiros. "Os dois presidentes já passaram por aqui. Conhecemos as receitas econômicas. No primeiro governo Lula não houve nenhuma atrocidade macroeconômica. Nos mandatos seguintes, dele e da Dilma Rousseff, as coias mudaram. Mas os gringos agora estão voltando. Antes eram poucos os que montavam posições em Bolsa brasileira. Agora ainda existe um espaço muito maior para comprar ativos de renda variável. Obviamente, o custo-oportunidade é de 13,75%", salientou o gestor.

Os investidores estrangeiros estão olhando para a renda fixa, "que voltou a ter uma atratividade que não registrava há muito tempo".

"Tem investidores de fundos de hedge que estão desalocando de renda variável e colocando recurso em renda fixa. A relação de risco-retorno no começo do ano não era nada positiva, e a situação de juros era muito atraente. Era uma coisa muito dada", explica Barcellos, "agora a Bolsa começa a entrar em um cenário de muita atratividade. O preço sobre lucro está extremamente baixo, um dos mais baixos do passado recente".

Questionado sobre o que faria os investidores terem mais cautela nesse momento, Barcellos explicou que é um fator fundamental: o Federal Reserve (Fed).

"Os investidores querem entender até onde o Banco Central americano vai chegar. Temos uma postura muito diferente do Fed agora do que no começo do ano. Está muito mais firme na luta contra a inflação, que, lembramos, nesse momento está mais elevada nos Estados Unidos do que no Brasil. Isso pode trazer um certo temos, pois poderia provocar uma retração na economia americana. Mas o Fed disse que não está preocupado com isso", salienta Barros.

Considerando que a economia americana vai afetar o mundo todo, alguns investidores consideram alocar capital em ações ainda um risco. "Todavia, nas últimas semanas no Brasil aprece ir na contramão, com um cenário benigno. Dólar caindo, Bolsa subindo, mercado otimista mais cauteloso por causa do Fed e com uma eleição presidencial brasileira extremamente polarizada, onde um dos candidatos que poderia ganhar não definiu sua política econômica. Não disse o que ele quer, e isso deixa os investidores com um pouco mais de cautela, preferindo a renda fixa, que paga confortáveis 13,75%, em relação as ações", explica Barcellos.

Vale a pena investir no exterior?

Por outro lado, falando de investimentos no exterior para cidadãos brasileiros, o gestor lembra que quem investido em S&P 500 no ano passado está registrando um prejuízo líquido por três fatores: a desvalorização cambial, com dólar mais barato, a queda no índice e, também, o não aproveitamento do custo-oportunidade de alocar no Brasil pela taxa de juros.

"Todavia, não podemos esquecer o passado, quando o S&P bateu recorde sobre recorde. E ainda não vimos o Ibovespa no passado recente ter uma proporção de ganhos parecidos. Precisamos também considerar que o Banco Central americano não precisa chegar ao topo das taxas de juros, é suficiente sinalizar, dar um recado. Isso vai gerar reações que irão impactar indicies com maior valor agregado. Empresas de growth, de crescimento, que ainda não geram lucro, mas que geram crescimento, são muito dependentes de capitais. E sofrerão mais. Mas esse ciclo um dia vai acabar, e o investidor brasileiro deve estar preparado para aproveitar dessas oportunidades", conclui Barcellos.