O que é Taxa Selic, para que serve e como afeta o seu dinheiro

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia no Brasil, e quem a define é o Copom, Banco Central; hoje a taxa Selic está em 13,75%
 (Getty/Getty Images)
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Da Redação

Publicado em 04/07/2022 às 12:00.

Última atualização em 10/08/2022 às 14:18.

Quando se fala sobre investimentos ou de algum assunto relacionado à economia, existem alguns termos que são mais comuns de serem vistos. Um dos mais comuns é a taxa Selic, ela é a taxa básica de juros da economia e é usada para controlar o fluxo de emissão e de circulação de recursos financeiros no país.

Entender o que é taxa Selic pode fazer com que se tenha decisões financeiras mais assertivas, seja quando for realizar algum empréstimo, ou no momento de investir.

Isso porque ela pode influenciar grande parte das movimentações da economia, o que impacta diretamente nos demais produtos e serviços financeiros disponíveis aos brasileiros.

O que é taxa Selic?

A taxa Selic é a taxa básica de juros no Brasil, ou seja, aquela que vai nortear todos os demais juros, tanto para quem recebe, quanto para quem paga. Assim, ela é importante para quem realiza algum empréstimo ou financiamento em alguma instituição financeira e também para quem está investindo.

O Banco Central possui um sistema conhecido como Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, onde acontecem as compras e vendas de títulos públicos, e se utiliza a taxa Selic para nortear qualquer operação.

É justamente o nome desse sistema que faz a taxa básica de juro no Brasil ser conhecida como Selic. Quando nos referimos à negociação de títulos públicos no sistema do BC, se tratam de operações de empréstimo de curto prazo que são feitas entre instituições, que por sua vez, tem como garantia esses títulos.

Quanto está a taxa Selic hoje?

Hoje, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, e foi definida após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no dia 03 de agosto de 2022. O Comitê anunciou na quarta-feira, 03/08/2022, o aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juro, a Selic, de 13,25% para 13,75% ao ano.

Essa é a décima segunda alta consecutiva. Sua última taxa antes da atual foi de 13,25%.

O que significa a sigla Selic?

O termo Selic é uma sigla que significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia, o sistema utilizado pelo Banco Central para controlar a emissão, a compra e a venda de títulos públicos.

Dessa forma, conduzir a política econômica e controlar a inflação. 

Para que serve a Taxa Selic?

A Selic é usada para controlar o fluxo de emissão e de circulação de recursos financeiros no país. O governo federal custeia seu funcionamento por duas formas principais: a arrecadação de impostos e a emissão de dívida. A Selic é usada para estabelecer o custo dessa dívida e de todas as outras operações de crédito do país.

Por essa razão, o Banco Central monitora os indicadores de endividamento do governo e das famílias e a movimentação dos preços dos produtos e serviços. Quando há um descontrole em qualquer desses índices, o Copom pode intervir para controlar o volume de dinheiro em circulação.

Para entender essa dinâmica, basta observar o que aconteceu em 2015. Naquele ano, o aumento da dívida do governo federal fez com que o volume de dinheiro em circulação aumentasse. A inflação subiu para mais de 10% e o Banco Central decidiu realizar uma série de reajustes na Selic, até que a taxa chegasse a 14,25% no final do ano.

Sendo assim, é possível afirmar que:

  • Quando o Banco Central aumenta a taxa Selic, a tendência é de queda na inflação e de desaceleração da economia, pois há um desestímulo ao consumo;
  • Quando o Banco Central reduz a taxa Selic, a tendência é de alta na inflação e aceleração da economia, pois há um estímulo ao consumo;

O exemplo que citamos é recente, mas a relação entre inflação e Selic é de longa data. A taxa básica de juros foi criada em 1979, período em que o reajuste de preços estava fora de controle no Brasil. Ao longo do tempo, a ideia de usar a taxa para controle monetário ficou ainda mais forte.

Taxa Selic e a inflação

A taxa Selic serve como parte estratégica de combate à inflação no Brasil, e de uma série de medidas de política monetária adotadas pelo Banco Central na tentativa de manter a economia do país estável.

Alguns membros do Banco Central fazem parte do Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reúne para discutir e adotar metas para tentar arrefecer a inflação no Brasil, conforme o cenário que se tem no momento. Assim, a taxa Selic é novamente definida por um determinado período.

Quando se iniciou esse método de estabelecer uma meta de inflação no Brasil, ela foi definida em 8%. Passado algum tempo, esse número foi para 4,5%. Em 2020, essa meta foi para 4,5%.

Por que acompanhar o valor da taxa Selic hoje?

A Taxa Selic é alterara frequentemente pelo Banco Central, o procedimento para a mudança da taxa Selic ocorre após reuniões do Comitê de Política Econômica (Copom), que também faz parte do Banco Central do Brasil. O intervalo de tempo entre uma reunião e outra é de 45 dias, quando será determinada a manutenção ou a alteração da taxa básica de juro, conforme o momento econômico que o país vive e o cenário inflacionário.

A taxa Selic costuma embasar tendências dos juros de empréstimos e também dos rendimentos de ativos de renda fixa

Além disso, também acaba impactando os investimentos de renda variável, uma vez que quando os ativos de renda fixa oferecem um maior “prêmio” frente a um risco menor, o capital de investimento tende a migrar para eles, fazendo com que os ativos de mais alto risco geralmente sejam menos procurados em determinado período.

Quem define a taxa Selic?

A meta da taxa Selic é definida em uma reunião que acontece a cada 45 dias, do Comitê de Política Monetária, o Copom, do Banco Central. Nesse encontro são levados em conta as projeções e os estudos da atividade econômica e da inflação.

A cada reunião, o Copom publica uma ata explicando as razões que levaram o Comitê a manter, aumentar ou reduzir os juros. A Ata do Copom também explica qual é a visão da autoridade monetária para o cenário futuro, o que ajuda a prever as próximas movimentações da Selic.

Qual a relação entre Selic e a poupança?

A taxa básica de juros também tem relação direta com a caderneta de poupança. O rendimento da poupança pode ser calculado pelo CDI, mas isso depende do valor atual da taxa Selic. Veja abaixo a regra:

  • Quando a taxa Selic estiver abaixo de 8,5%, a poupança renderá 70% do CDI + a Taxa Referencial (TR), que é determinada pelo Banco Central. Atualmente a TR está zerada.
  • Quando a Selic estiver acima de 8,5%, a poupança renderá 0,5% ao mês + a Taxa Referencial.

Como a Selic influencia o consumo doméstico?

Existe uma relação direta entre a taxa básica de juros e o ritmo de crescimento da economia. Isso porque a Selic pode ser um grande fator para o estímulo ou desestímulo ao consumo das famílias e empresas.

Se a Selic é baixa, o governo tem um custo menor para endividar-se, e por isso pode transferir mais recursos para a população e fazer investimentos, como em obras de infraestrutura, saúde e educação, o que gera mais empregos e mais renda.

Os juros baixos também facilitam o crédito para as famílias, já que os financiamentos bancários para aquisição de bens e serviços ficam mais baratos.

No entanto, é importante lembrar que a alta no consumo gera uma pressão da demanda no país, o que pode resultar em uma inflação maior, algo prejudicial para o poder de compra da população.

Se esse efeito inflacionário foge do controle, o Banco Central pode aumentar a taxa Selic para desestimular o crédito e as despesas do governo, o que reduz o ritmo de crescimento de toda a economia.

Tripé macroeconômico

Nas últimas duas décadas, diversos governantes brasileiros utilizaram a composição de juros e inflação em sua política econômica. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso surgiu o chamado tripé macroeconômico, que orientou a política fiscal do governo nas últimas duas décadas.

O tripé é composto por três fatores: juros, inflação e câmbio.

Basicamente, o BC equilibra a cotação do dólar pelos leilões de moeda estrangeira e pelos juros, que por sua vez influenciam diretamente a inflação. Por ser uma dinâmica em que um fator depende do outro para se manter estável, a política foi chamada de tripé macroeconômico.

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