Dólar nesta quinta, 29: moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,22%, cotada a R$ 5,194 (big_nazik/Freepik)
Repórter
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 17h37.
Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 17h51.
O dólar à vista voltou a se desvalorizar frente ao real nesta quinta-feira, 29, em uma sessão marcada por forte volatilidade e por um ambiente global de aversão ao risco. A moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,22%, cotada a R$ 5,194.
Nas primeiras horas de negociação, o dólar chegou a tocar a mínima de R$ 5,16, mas durante a tarde avançou para a máxima de R$ 5,24, acompanhando a piora do humor global.
Operadores relataram que o movimento foi impulsionado pela contaminação dos mercados pelo mau humor dos investidores com os números divulgados pela Microsoft, que pressionaram os ativos de risco ao redor do mundo. Ainda assim, o avanço não se sustentou, e o dólar voltou a recuar no fim do dia.
Segundo a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a queda da moeda americana ocorreu apesar do ambiente de maior cautela nos mercados e pode ser explicada por uma combinação de fatores técnicos e expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos.
"Há um ajuste técnico em curso. O dólar vem recuando no mercado global há alguns dias, e isso acaba se refletindo também sobre o comportamento do real", afirma.
Além disso, a economista destaca que o mercado tem reduzido apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e passado a precificar, ainda que de forma gradual, a possibilidade de cortes mais à frente.
"Esse movimento diminui o atrativo do dólar, mesmo em um cenário de aversão ao risco, e acaba favorecendo moedas emergentes", disse Quartaroli.
O enfraquecimento recente da moeda americana também se reflete no desempenho do índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas e vem registrando recuos relevantes. Esse movimento tem impulsionado a busca por ativos de proteção, como o ouro.
Hoje, por exemplo, o metal cravou novas marcas históricas de fechamento e máxima intradia, diante dos temores de um novo ataque dos EUA ao Irã. O contrato do ouro para fevereiro fechou em leve alta de 0,28% na Comex, cotado a US$ 5.318,40 por onça-troy. No pico do dia, bateu US$ 5.586,20, com mínima em US$ 5.097,50
"Quando o dólar perde força, o ouro tende a se valorizar, tanto por ficar mais barato em outras moedas quanto por ser visto como um ativo defensivo”, diz Quartaroli.
Apesar disso, a economista pondera que o movimento não configura uma tendência irreversível. "O dólar ainda pode reagir a dados econômicos mais fortes ou a decisões futuras do Fed. O que vemos agora é um enfraquecimento recente, mas que não é linear nem garantido", afirma.
Os investidores também repercutiram nesta sessão os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos divulgados nesta quinta.
Os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 209 mil na semana encerrada no dia 24 de janeiro, de acordo com o Departamento do Trabalho do país. O resultado representou uma queda de mil sobre a leitura revisada da semana anterior e ficou levemente acima do consenso dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que apontava para 205 mil novos pedidos.
Segundo Quartaroli, o impacto sobre o câmbio, porém, foi moderado, e o mercado segue atento aos próximos indicadores, incluindo os dados de emprego que serão divulgados na próxima semana.
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.