Chevron: petroleira avança na construção de usina para atender centro de dados. (Yuichiro Chino/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 16h06.
A corrida global para construir a infraestrutura necessária para a inteligência artificial (IA) encontrou uma solução bilionária no coração da indústria de petróleo dos Estados Unidos. Em meio à resistência comunitária, à escassez de energia e a entraves burocráticos em diversos estados americanos, os desenvolvedores de data centers voltaram os olhos para a Bacia Permiana, região entre o oeste do Texas e o Novo México.
Algo que tem transformado terrenos áridos de grandes administradoras de terras em ativos valorizados pelo mercado financeiro. Com um modelo de negócios leve em capital, baseado no arrendamento de solos e no fornecimento de insumos essenciais como água e combustível para usinas elétricas, as empresas atraíram o apetite de Wall Street.
O impacto nas cotações das companhias listadas na bolsa de valores de Nova York reflete a transição acelerada do petróleo tradicional para o processamento de dados em alta escala, segundo informações do Wall Street Journal.
A reação de Wall Street a esse reposicionamento estratégico tem sido entusiasmada. Por operarem com o aluguel de solos e a cobrança de royalties, as companhias energéticas não demandam os pesados investimentos em capital, conhecidos como capex, típicos da perfuração de poços.
As ações da Texas Pacific Land acumulam valorização de 14% no ano, negociadas a cerca de 37 vezes o lucro projetado para os próximos quatro trimestres. A LandBridge apresenta desempenho ainda mais forte, com salto de 56% no período e múltiplo de 39 vezes o lucro futuro.
Já a EagleRock captou US$ 320 milhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) realizada no início do ano. O sócio da área de energia do escritório de advocacia Vinson & Elkins, Bryan Loocke, destacou que "há muito dinheiro, todo mundo está perseguindo essa grande oportunidade (white whale)".
A transição também já se traduz em grandes contratos. A Chevron fechou um acordo de fornecimento de eletricidade por 20 anos com a Microsoft para atender a um novo centro de dados e avança na construção de uma usina térmica movida a gás natural na região.
Para viabilizar a estrutura, a petroleira adquiriu terrenos da Texas Pacific por US$ 43 milhões, além de fechar a compra de água subterrânea salobra. Já a startup de IA Poolside e a provedora de nuvem CoreWeave anunciaram a criação de um complexo massivo de processamento em um grande rancho no oeste texano.
Empresas como Texas Pacific, LandBridge e EagleRock possuem juntas 1,4 milhão de acres de terra, área sete vezes maior que a cidade de Nova York. No ano passado, a Texas Pacific obteve cerca de metade de seu faturamento, aproximadamente US$ 386 milhões, prestando serviços operacionais.
Contudo, a diversificação avança rapidamente. A empresa investiu US$ 50 milhões na Bolt, firma de infraestrutura fundada pelo ex-CEO do Google, Eric Schmidt, para estruturar novos projetos de data centers. O CEO da Texas Pacific Land, Tyler Glover, afirmou esperar receitas relevantes vindas dos novos serviços.
A empresa estima que cada projeto individual de data center pode gerar centenas de milhões de dólares ao longo de seu ciclo de vida.