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Correios dos EUA preparam alta de 8% nas tarifas com pressão nos custos

Reajuste temporário até 2027 ocorre em meio a alta do petróleo e alerta sobre falta de caixa

O USPS (United States Postal Service) anunciou um aumento de cerca de 8% nas tarifas de serviços como Priority Mail e Ground Advantage. (Stefania Pelfini la Waziya/Getty Images)

O USPS (United States Postal Service) anunciou um aumento de cerca de 8% nas tarifas de serviços como Priority Mail e Ground Advantage. (Stefania Pelfini la Waziya/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 26 de março de 2026 às 14h06.

Enviar encomendas pelos Correios dos Estados Unidos deve ficar mais caro nas próximas semanas. O USPS (United States Postal Service) anunciou um aumento de cerca de 8% nas tarifas de serviços como Priority Mail e Ground Advantage. O reajuste começa a valer em 26 de abril e deve permanecer em vigor até janeiro de 2027.

A medida foi apresentada como temporária, mas ocorre em um momento de pressão estrutural sobre os custos da operação. Segundo a própria agência, o objetivo é cobrir despesas básicas em um cenário de transporte mais caro. O USPS afirmou que, ao fim do período, poderá revisar a estratégia de preços e decidir por uma abordagem permanente.

A justificativa central para o aumento está no encarecimento da logística. A estatal americana apontou que seus concorrentes já vêm repassando custos por meio de sobretaxas — especialmente ligadas ao combustível. “Os custos de transporte têm aumentado e nossos concorrentes reagiram com uma série de sobretaxas”, afirmou o serviço postal em comunicado.

Diferentemente de empresas privadas, o USPS vinha evitando esse tipo de cobrança adicional — o que, na prática, pressionou ainda mais suas margens. Mesmo com o reajuste, a agência afirma que suas tarifas seguem entre as mais baixas do mundo industrializado.

O pano de fundo é a disparada recente do petróleo, que afeta diretamente cadeias logísticas globais. Desde o agravamento do conflito com o Irã, no fim de fevereiro, o transporte de óleo pelo Estreito de Ormuz — uma das principais rotas do mundo — foi impactado, elevando custos de frete, aviação e transporte marítimo.

Recursos acabam em 12 meses

O aumento das tarifas também expõe uma fragilidade financeira mais profunda. O diretor-geral dos correios, David Steiner, afirmou ao Congresso que a agência pode ficar sem recursos em cerca de um ano. “Se continuarmos no ritmo atual, o Serviço Postal não conseguirá operar”, disse o executivo em audiência na Câmara dos Representantes, de acordo com o Business Insider.

O executivo apresentou sua visão para a agência em meio à pressão de parlamentares sobre a sustentabilidade do serviço postal. O presidente do colegiado, o republicano Pete Sessions, destacou a urgência do tema, enquanto membros da oposição alertaram para riscos de mudanças estruturais, como uma eventual privatização.

Na audiência, Steiner atribuiu o risco de colapso financeiro a fatores como queda no volume de correspondências, obrigações previdenciárias elevadas e restrições ao uso de capital. Segundo ele, o modelo atual limita a capacidade de investimento e financiamento da agência..

Entre as medidas defendidas, o diretor-geral pediu ao Congresso a ampliação do limite de endividamento da agência. A proposta, segundo ele, daria tempo para uma reestruturação mais ampla do modelo operacional.

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