Guerra no Irã: ataques permanecem e logística do petróleo sofre perdas. ( AFP/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 26 de março de 2026 às 10h55.
O mercado global de energia acendeu um alerta com o surgimento do fenômeno chamado backwardation. Mas, afinal, do que se trata o movimento e por que ele está ocorrendo com o petróleo?
O backwardation ocorre quando os contratos futuros com vencimento próximo são negociados com um prêmio sobre os contratos de prazos mais longos, indicando uma pressão de oferta imediata combinada com a aposta em uma normalização futura. Na prática, isso mostra que investidores veem a disparada recente — impulsionada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã — como temporária.
Isso ganha relevância à medida que o petróleo do tipo Brent acumula alta de 47% desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, segundo fontes ouvidas pela CNBC.
Para o chefe de investimentos da BRI Wealth Management, Toni Meadows, essa estrutura deixa claro como o mercado está interpretando o momento.
A volatilidade tem marcado o mercado nas últimas semanas, com impacto direto dos ataques na região do Golfo e de gargalos logísticos em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz.
O petróleo do tipo West Texas Intermediate, referência nos EUA, também disparou e acumula alta próxima de 39% no período, sendo negociado ao redor de US$ 93 por barril.
Apesar da leitura de que o conflito pode ser resolvido, o cenário ainda é incerto. Inclusive, Israel anunciou nesta quinta-feira, 26, pela manhã ter matado o comandante iraniano que fechou Estreito de Ormuz.
"Não sabemos toda a história do que está acontecendo. Os mercados estão sendo relativamente calmos diante da variedade de possíveis desfechos", pontuou em entrevista à CNBC. Um único míssil pode mudar completamente o cenário, na sua avaliação.
Já a gerente de investimentos da Mattioli Woods, Katy Stoves, afirma que esse comportamento do mercado não é incomum em momentos de choque. "É algo bastante normal em uma situação como essa." Segundo ela, o backwardation pode refletir tanto a expectativa de redução das tensões quanto um sinal menos positivo.
A especialista também chama atenção para um risco que pode estar sendo subestimado: os danos à infraestrutura energética, de acordo com falas repercutidas na CNBC.
"Mesmo que haja uma resolução, muitas instalações foram afetadas. Reparar e colocar tudo de volta em operação leva tempo — e não tenho certeza de que o mercado está precificando isso adequadamente", detalhou.Mesmo com a expectativa de queda nos preços ao longo dos próximos meses, o petróleo não deve voltar aos níveis anteriores ao conflito tão cedo.
Isso por que ainda existe um prêmio de risco embutido nos preços, na visão da chefe global de pesquisa de investimentos da FTSE Russell, Indrani De.
A curva futura indica que, até o fim do ano, o petróleo deve ficar entre US$ 10 e US$ 12 acima do nível pré-guerra.
Atualmente, os contratos de Brent para dezembro giram em torno de US$ 79,70 por barril — cerca de 17% abaixo do preço atual, mas ainda acima do patamar observado antes do início do conflito.