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Como investidores se preparam para a volatilidade do mercado em 2026

Incerteza política nos EUA e disrupções da IA ampliam o “event risk” e levam gestores a diversificar fora do mercado americano

Volatilidade nos mercados: Investidores ampliam diversificação e proteção contra choques de notícias e oscilações abruptas em 2026. (Germano Luders/Exame)

Volatilidade nos mercados: Investidores ampliam diversificação e proteção contra choques de notícias e oscilações abruptas em 2026. (Germano Luders/Exame)

Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 10h01.

Investidores e gestores vêm ajustado estratégias para lidar com um ambiente de volatilidade permanente nos mercados globais, marcado por decisões imprevisíveis de política econômica, avanços acelerados em inteligência artificial e choques geopolíticos.

Segundo o Wall Street Journal, o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump consolidou em Wall Street o conceito de “event risk” — quando notícias inesperadas provocam oscilações abruptas de preços em questão de horas.

Movimentos que antes passavam por meses de negociação em Washington agora começam a aparecer em posts em redes sociais, capazes de adicionar ou apagar bilhões de dólares em valor de mercado antes da abertura dos pregões. Nos últimos meses, isso incluiu desde a possibilidade de recuo em tarifas sobre aço até a indicação de um novo presidente do Federal Reserve.

A disrupção causada por novas aplicações de inteligência artificial também tem atravessado setores de forma repentina — afetando seguradoras, provedores de dados, gestoras de patrimônio e até empresas de transporte rodoviário, de acordo com o WSJ.

Apesar das bolsas americanas seguirem próximas de níveis recordes, o ritmo contínuo de choques de notícia tem levado parte dos investidores a buscar diversificação fora dos EUA, em mercados estrangeiros e outros ativos considerados "porto seguro".

Como os investidores devem se preparar?

O CIO da Integrated Partners, Stephen Kolano, afirmou ao jornal que tem direcionado recursos para regiões cujas relações comerciais se desenvolvem de forma mais independente de Washington, como a União Europeia e a Índia, ampliando posições em defesa europeia e em ações de mercados emergentes.

“Você acaba ficando meio dessensibilizado. Aprende a esperar o inesperado”, disse.

A tensão aparece nos indicadores de volatilidade. O Cboe Global Markets Volatility Index (VIX) — conhecido como “termômetro do medo” de Wall Street — registrou alta da oscilação diária mediana para 4,2%, ante 3,5% no último ano do governo Joe Biden, segundo dados da FactSet citados pelo WSJ.

O índice fechou em 20 pontos ou mais em 66 pregões no primeiro ano do segundo mandato de Trump, contra nenhuma ocorrência no primeiro ano de seu mandato inicial.

A temporada de balanços também ficou mais volátil. As ações do S&P 500 oscilaram, em média, 5,2% nos dias de divulgação de resultados — o maior patamar desde 2012. Em casos extremos, algumas ações se moveram 15% ou mais após a divulgação.

Os choques não se restringem às ações. Guerras comerciais, aumento de gastos públicos e a queda do dólar impulsionaram o ouro a uma alta acumulada de 65% em 2025, levando o metal a superar US$ 5.300 por onça-troy em janeiro. Em seguida, a indicação de Kevin Warsh para suceder Jerome Powell no comando do Fed provocou um rali do dólar e uma correção no preço do ouro.

Para tentar conter riscos de movimentos extremos no câmbio, fundos de pensão vêm ampliando proteções contra oscilações abruptas do dólar, afirmou Brent Donnelly, da Spectra Markets, ao Wall Street Journal. No fim de janeiro, a moeda caiu forte após declarações de Trump minimizando uma possível desvalorização do dólar.

Em relatório citado pelo WSJ, gestores da PIMCO defendem que investidores adotem um “mindset ágil para a incerteza”, com monitoramento constante de valuations, flexibilidade geográfica e respostas rápidas quando a volatilidade cria oportunidades.

A recomendação é evitar reagir impulsivamente ao primeiro impacto das manchetes e focar tendências estruturais — como desregulamentação e investimentos em IA.

Na prática, isso já se reflete em mudanças de portfólio. Michael Rosen, da Angeles Investments, afirmou que reduziu a exposição concentrada em ativos dos EUA e ampliou posições na Europa e em mercados emergentes. “O ruído aumentou muito em relação ao sinal. A carteira hoje está mais diversificada do que nunca”, disse.

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