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Trump intensifica perdas do dólar ao descartar preocupação com queda

Com moeda no menor nível desde 2022, presidente indica apoio à desvalorização e reforça incertezas sobre ativos dos EUA

Dólar: moeda opera em queda  ( user3222645/Freepik)

Dólar: moeda opera em queda ( user3222645/Freepik)

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 05h01.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece não estar preocupado com a queda do dólar. Questionado sobre a desvalorização recente da moeda, afirmou nesta terça-feira, 27, em Iowa que "o dólar está indo muito bem”. A declaração impulsionou novas perdas e levou o Bloomberg Dollar Spot Index ao menor patamar desde o início de 2022, com recuo de até 1,2%.

A fala de Trump foi interpretada como um endosso explícito à fraqueza cambial. Ele já havia declarado que um dólar fraco favorece exportações e que poderia manipular a moeda “como um ioiô”. Embora tenha afirmado, no passado, ser defensor de um dólar forte, agora aponta benefícios econômicos na desvalorização.

A reação dos mercados foi imediata.

Dólar tem menor valor de fechamento em dois anos e vai a R$ 5,20

Investidores passaram a reforçar o movimento de saída de ativos americanos, conhecido como debasement trade, migrando para ouro — que ultrapassou US$ 5.250 por onça — e para mercados emergentes. A volatilidade refletiu também nas moedas: euro, libra e franco suíço atingiram os maiores níveis desde 2021.

Incertezas sobre política econômica dos EUA

A instabilidade do câmbio ocorre apesar da elevação dos yields dos títulos do Tesouro e da expectativa de interrupção nos cortes de juros.

A imprevisibilidade da gestão Trump, aliada à pressão sobre o Federal Reserve (Fed) e ao crescimento da dívida pública, contribui para afastar investidores. A dívida americana se aproxima dos US$ 40 trilhões.

 

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